São Bernardo (O Famoso Beethoven) - Raças de Cães | CachorroGato

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Ficha do São Bernardo

São Bernardo

O São Bernardo (em alemão Saint Bernardshund) pertence ao grupo de cães de trabalho, e é considerado um cão de guarda e de salvamento. Dono de um temperamento manso, esse cão  adora seus donos e costuma ser extremamente devotado à eles, tendo um comportamento que pode (em alguns casos) beirar a possessão. Por vezes, acaba ficando até saber quem é o comandante dentro de uma relação entre pet e tutor – já que esta raça é muito carente de atenção e afeto e, por muitas vezes, passa o dia todo seguindo seu dono e ‘exigindo’ carinhos e mimos diversos.

Como já é do conhecimento de muitos, esse cão ganhou uma popularidade imensa em todo o mundo em meados da década de 90 – pois, foi nessa época que o filme de nome “Beethoven” foi lançado, tendo um cachorro da raça São Bernardo como grande protagonista do longa – e fazendo com que a raça adquirisse a simpatia e o amor dos espectadores as mais diversas localidades do mundo.

Originária da Suíça, esta raça canina é classificada na categoria dos cães mastiff ou sheepdogs – sendo que a sua força e resistência já foram (e são até os dias de hoje) usadas para auliar os seres humanos em trabalhos e tarefas diversas, que incluíam desde o pastoreio até ações relacionadas ao resgate de pessoas.

Além do filme Beethoven, esse cachorro também é bastante conhecido no mundo todo em função de uma série de desenhos animados que costumavam retratá-lo como um grande salvador em regiões geladas – mostrando-o com o já conhecido e pequeno barril em volta de seu pescoço nos ações em que auxiliava pessoas afogadas ou perdidas, por exemplo.

Acompanhe o texto a seguir para conhecer mais detalhes sobre o comportamento, a aparência, os cuidados e as questões de saúde que podem fazer parte da vida de um cão São Bernardo, e analise a possibilidade de levar um deles para casa e ter um verdadeiro herói carinhoso dentro do seu lar.

Origem

O São Bernardo é uma raça canina que foi originada nos Alpes Suíços, e que foi desenvolvida a partir de cruzamentos de antigos molossos (Mastiff da região dos Alpes dos romanos conhecido há mais de 2000 anos) - levados à região pelas tropas de Roma. Os monges foram os grandes responsáveis pela sobrevivência da raça; já que, desde 1660, eles passaram a criar cachorros São Bernardo em um monastério específico, chamado de Hospice du Grand St. Bernard – que se localizava em um dos pontos mais altos daquelas montanhas (e por onde os viajantes costumavam passar para eu pudessem cruzar os Alpes).  De acordo com estudiosos da raça, o primeiro propósito do São Bernardo foi o de proteger propriedades; seguido, então, das missões de resgate, que se iniciaram no século XVIII. Encontrar vítimas soterradas e buscar auxílio junto aos monges caso o acidentado não pudesse se mover passou a ser, então, a principal função destes cachorros – que contavam com a capacidade e a resistência necessária para executar esse tipo de trabalho sem se prejudicar.

Fisicamente, foram cruzados a fim de se obter um cão robusto, de pelagem isolante e com um excelente faro, que pudesse trabalhar em situações rigorosas. As missões de resgate da época costumavam envolver dois cães da raça; sendo que ao encontrar uma vítima, os cachorros se deitavam ao lado dela na tentativa de aquecer o seu corpo e, enquanto um deles tentava reanimar a vítima (por meio de lambidas na face), o outro voltava para o monastério para “avisar” os monges sobe o ocorrido e buscar mais ajuda.

A capacidade de faro dos cachorros da raça São Bernardo também é tida como uma das mais potentes ferramentas para que pudesse ser eficiente nos trabalhos de resgate – já que o animal consegue farejar uma pessoa soterrada em até dez metros de profundidade na neve. Em função disso e de toda a habilidade em tarefas de salvamento, houve um exemplar da raça chamado de Barry que ganhou destaque em um museu suíço, sendo empalhado após a sua morte e exposto no local como um grande herói – já que havia participado de mais de 40 salvamentos ao longo da sua vida.

Embora o barril pendurado ao pescoço tenha se tornado um dos grandes símbolos dos cães que atuavam em resgate, isso somente aconteceu por um esquecimento de trabalhadores que costumavam ficar próximos ao cão – e mesmo na época muitos apoiando que estes cachorros deveriam usar o barril no pescoço nas suas missões de resgate, isso nunca, de fato, chegou a ser um costume muito praticado.

Comportamento

O São Bernardo é um grande amigo de seu dono. Ele adora carinho e atenção e pode se demonstrar bastante possessivo quanto à sua família. Eles são protetores, mas o comportamento do São Bernardo não é nada agressivo e; portanto você pode ter um animal dessa raça tranquilamente em casa. Eles são extremamente sociáveis e aprendem facilmente quando algum comando é ensinado – aparecendo na posição de número 113 da lista que ranqueia as raças de cachorros mais inteligentes em todo o mundo.

Além de ser bastante tranqüilo e equilibrado, o cão São Bernardo também apresenta uma ótima relação com crianças e pessoas de todos os tipos de personalidade; podendo ser indicado para viver em casas com grandes famílias. Segundo as regras que formam essa tabela, o cachorro da raça São Bernardo seria capaz de aprender e entender um comando específico quando repetido entre 40 e 80 vezes, contando com uma chance de cerca de 30% de compreender um ensinamento em uma só repetição.

Aspecto

Alto, poderoso e de musculatura impressionante, o São Bernardo pode assustar à primeira vista. Pode ser de cor branca com vermelho ou branca com marrom e manchas pretas na cabeça e área dos olhos. Os olhos, de expressão benevolente, são de tamanho médio e coloração castanha escura. Suas orelhas pendem nas laterais das bochechas. Esta raça é muito musculosa no pescoço e suas bochechas são grandes e pesadas. Sua cauda é longa e bastante peluda no exemplar de pelo longo. Existem duas variedades de São Bernardo: o de pelo curto e liso e o de pelo longo, em ambos os casos a pelagem é muito espessa. Os de pelo curto costumam ser menores, com machos chegando até 75 kg. Os de pelos longos têm os fios bem compridos e levemente ondulados. Geralmente são bem maiores, com machos e fêmeas chegando facilmente aos 90 kg.

No que se refere a altura, os cães machos desta raça específica pode atingir até 70 centímetros; enquanto as fêmeas permanecem um pouco menores, mas igualmente grandes, podendo chegar a ter por volta de 65 centímetros de altura.

Cuidados específicos

É um cão de grande força e pode ser educado perfeitamente dentro de uma casa. Ele se adapta muito bem à vida em família, mas tende a babar e precisam de espaço. É indicado levá-lo passear pelo menos de 3 a 4 vezes por semana, mas por causa do seu tamanho e peso, ele se cansa facilmente se a caminhada for muito longa e cansativa. Por causa do seu grande porte, esse é um animal que come muito e, por isso, seu custo de manutenção tende a ser bastante alto. 

É muito importante escovar o São Bernardo diariamente e mantê-lo sempre limpo, com foco na boca e os olhos – já que a formação de nós na sua pelagem pode facilitar o acúmulo de sujeira, e isso pode gerar o aparecimento de problemas de pele, por exemplo, como a dermatite. Banhos devem ser administrados uma vez ao mês para que a higiene do animal fique em dia e Le possa atingir a sua expectativa de vida por completo, que é de cerca de 14 anos.

Saúde

Como cães de grande porte, o São Bernardo pode sofrer de displasia da anca e torção do estômago. Por isso, é importante que ele tenha acesso a visitar periódicas a veterinários (permitindo que a displasia coxofemoral seja diagnosticada de forma precoce) e que coma pequenas porções a cada refeição, evitando os riscos de que sofra com a torção gástrica por exagerar demais na quantidade de alimentos ingeridos.

 O principal problema que os São Bernardos vem apresentando no Brasil - em razão do clima quente - é uma piodermatite, não é contagiosa nem para os humanos nem para outros animais que estiverem convivendo com ele. Essa dermatite é uma infecção na pele do animal causada pelo excesso de umidade. Para controlar esta infecção, devem-se limitar os banhos (no máximo um por mês) e secá-lo bem. Cuidado deve ser tomado também em época de chuvas. Evite que ele fique molhado muito tempo.


História do São Bernardo

Os Romanos haviam construído um templo dedicado a Júpiter e no século X, Bernard of Menthon (depois canonizado como São Bernardo) foi o responsável pela construção de um hospital sob as antigas ruínas, passando a dedicar sua vida para ajudar pobres, peregrinos e necessitados que viajavam nestas redondezas (nos Alpes Suíços, próximo da fronteira com a Itália, onde fica localizado o hospital chamado Hospice du Grand St. Bernard) a caminho de Roma. Trabalhando para ajudar viajantes e para salvar as vítimas das avalanches e dos fortes invernos, os monges de São Bernardo., os monges, ficaram extremamente sobrecarregados com os trabalhos por volta do ano de 1707, e começaram a empregar cães na busca e no salvamento das vítimas, percebendo a grande capacidade e destreza destes animais nesse tipo de resgate.

Dotados de um faro excelente (que era capaz de localizar uma vítima que estivesse soterrada em até dez metros de profundidade na neve), um ótimo senso de direção, pelagem pesada, corpos fortes e musculosos e uma alta resistente à baixas temperaturas, os cachorros da raça São Bernardo eram ideais para atuar como heróis – já que, embora o seu tamanho exagerado favorecesse o cansaço do animal, a sua resistência era bastante grande para agüentar e cumprir as tarefas de salvar pessoas soterradas ou perdidas na neve.

Um dos mais famosos exemplares da raça ficou extremamente famoso na região dos Alpes, depois de salvar 40 pessoas em sua vida. Chamado de Barry, esse cão encontrou um fim trágico na sua 41ª missão, quando a vítima que ele tentava salvar acabou o matando em meio a uma crise pânico. Com isso, a braveza do cão Barry foi homenageada, e o animal foi empalhado para que pudesse ser exposto em um museu suíço como uma figura de heroísmo. A partir disso (por volta de 1810) a raça passou a ser comumente denominada de Barry Hounds na região.

Na época desse acontecimento, os cães da raça São Bernardo ainda eram de tamanho moderado e todos com pelo curto, sendo que pouco tempo depois (por volta do ano de 1830) a população canina do monastério estava prestes a ser extinta – já que uma série de acidentes, doenças, cruzamentos entre parentes e invernos terríveis começaram a mostrar as suas conseqüências, matando boa parte dos exemplares da raça que habitavam os Alpes Suiços.

Foi então que os monges decidiram cruzar seus cães com outras raças para recompor e reconquistar a força, a capacidade de salvamentos e a saúde destes cães. Os cruzamentos, nessa época, foram feitos com cães da raça Terra Nova, que passaram a ter algumas de suas características mais notáveis incorporadas ao tipo físico dos cães São Bernardo – que, dessa forma, ganharam o pelo mais longo e o tamanho quase gigante; sendo a partir dessa mistura que o São Bernardo que vemos hoje em dia foi criado. Em pouco tempo os monges perceberam que os cães de pelo mais longo costumavam apresentar problemas com a neve (que grudava em sua pelagem) e, em função disso, passaram a ficar com os cães de pelo curto para atuar em trabalhos de salvamento e mandar os outros de pelagem mais comprida para os vales da Suíça. Foi justamente por isso que a raça se difundiu pelo mundo, já que o monastério era muito isolado para que a raça pudesse ser reconhecida por todos.

Por causa do grande desenvolvimento que sofreu a região dos Alpes Suíços, os cachorros da raça São Bernardo, hoje, não têm mais a função de salvadores como principal – sendo mantidos nos monastérios da região apenas pela tradição; já que, felizmente, os acidentes do local já não são mais tantos que necessitem da ajuda dos cães (comumente e antigamente chamados de Anjos dos Alpes) para serem solucionados.

A popularidade da raça, no entanto, continuou crescendo depois disso, e aumentou consideravelmente após o lançamento do longa-metragem chamado de Beethoven, do ano de 1992 – onde o protagonista é um dócil e brincalhão cachorro da raça São Bernardo. Com isso, a raça não só se tornou muito querida entre as crianças, como também ganhou o reconhecimento do público em geral; que, cativado pelo personagem do longa, passou a buscar exemplares para ter como bicho de estimação e parte da família.

Além deste, o cão da raça também se destacou no papel de Nana, no filme que conta a historia de Peter Pan, onde fazia o papel de uma espécie de ‘babá’ da personagem Wendy e seus irmãos.


Características do São Bernardo

Ao levar um cão da raça São Bernardo para casa, é importante ter em mente que você não está comprando um animal, mas sim ganhando um novo e carinhoso amigo. O filhote de cachorro desta raça específica irá exigir cuidados com a alimentação, vacinas, visitas a profissionais veterinários, muita paciência e amor da sua parte e; por causa disso, é preciso se preparar para separar um tempo especial para cuidar e estar como o seu novo pet.

Durante os primeiros meses de vida, o seu cão receberá a base que irá torná-lo um animal adulto cheio de carinho e respeito, refletindo todo o cuidado e a atenção que recebeu durante a sua fase de filhote. Manso por natureza, o cão São Bernardo é do tipo que adora os seus donos, podendo até mesmo ser um pouco duro quando outras pessoas desconhecidas se aproximam demais de seus tutores. O seu comportamento, em alguns casos, pode até ser descrito como possessivo, fazendo com que fique difícil de entender se é o cão que manda em seu dono ou o contrário e – com isso em mente, fica fácil entender por que este animal deve ser treinado desde pequeno para eliminar esse tipo de comportamento possessivo da sua vida.

Sempre em busca de alguém que lhe faça um carinho, o cachorro São Bernardo costuma passar horas e horas deitado e dormindo, destacando um semblante de puro e total relaxamento. Apesar disso, há momento do dia em que tem muita energia e, ao acordar de uma de suas longas sonecas, corre e pula convidando quem estiver por perto para brincar – sendo que esse pico de animação chega a durar um máximo de uma hora, fazendo com que, depois disso, o animal retorne para suas atividades ‘normais’ e volte a dormir. Ele é bastante territorial, estranhos geralmente não são bem vindos na área em que ele fica e ele irá demonstrar isso, mas se a visita não demonstrar medo e tentar brincar com ele, em minutos ele estará deitado aos pés dela fazendo uma nova amizade. Fora do seu território ele costuma ser bastante calmo com estranhos, e não apresenta os problemas de território tão comuns na suas áreas ais habituais.

Dono de um alto nível de inteligência, o São Bernardo ocupa a posição de número 113 no ranking das raças de cães mais inteligentes de todo o mundo, destacando uma probabilidade de até 30% de entender um comando dado na primeira tentativa (embora, de acordo com a lista, necessite que uma ordem seja passada de 40 a 80 vezes para que seja, de fato, aprendida por ele).  

Embora a sua origem seja intimamente relacionada com os trabalhos de resgate e até de guarda, nos dias de hoje o cão da raça São Bernardo é mais famoso como um cão de companhia – já que convive bem com todo tipo de pessoas (inclusive com crianças) e pode, facilmente, fazer amizades e viver bem com outros animais – sejam eles da mesma ou de outra espécie. Dono de uma alta tolerância aos climas frios, o cão desta raça não costuma ser fã ou ter muita resistência para o clima de muito calor – devendo poder contar com áreas onde haja sombra suficiente para descansar no dia-a-dia.  

Raça verificada por:

Médico Veterinário (CRMV- SP 23.348), formado pela Universidade Paulista, Cirurgião Geral e Ortopedista no Hospital Veterinário Cães e Gatos 24 horas há 6 anos. Dr. Tubaldini é o Diretor de Conteúdo do portal CachorroGato e gestor da equipe de veterinários responsáveis pela ferramenta Dr. Responde.

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