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Fila Brasileiro

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Ficha do Fila Brasileiro

Fila Brasileiro

O Fila Brasileiro possui um grande olfato e uma figura imponente, características que o tornaram o mais temível perseguidor de escravos fugitivos. Durante o período colonial do Brasil, havia no país grandes plantações açucareiras nas quais milhares de escravos africanos trabalhavam. Os Filas eram usados para vigiá-los e evitar que fugissem, se um escapasse, o cão era usado para seguir o rastro.

Origem

Como seu nome indica, o Fila Brasileiro tem origem no Brasil, ainda que não seja nativo. Esse cão descende dos molosos levados ao continente pelos colonos europeus. Os descendentes desses cães foram cruzando com outras raças (Mastiff Inglês, Bloodhound e Dogo) para fazerem um cão ideal que desempenhasse tarefas, como a de perseguir escravos e índios ou de proteger os rebanhos de ataques de jaguar.
O Fila resultante era uma raça pouco dinâmica, então no século XIX também foi cruzado com um pouco de sangue Buldogue.

Comportamento

É um cão ágil, dócil, vivaz e valente. Bom e paciente com as crianças, é fiel aos seus donos e se mostra afetuoso, obediente e doce com eles. Por outro lado, se mostra desconfiado e pouco amistoso com estranhos. Seu caráter é tranquilo e bastante seguro de si mesmo. Não costuma ter medo e quando está excitado ignora ameaças ou batidas. Se adapta bem a ambientes novos e a ruídos estranhos.

Aspecto

É um cão robusto, vigoroso, imponente e musculoso. As patas têm uma boa estrutura óssea e a cauda, larga na base, vai afinando progressivamente. Tem orelhas grandes em forma de “v”. Seu pelo é curto, flexível e grosso e são aceitas todas as cores uniformes exceto as desclassificáveis (branco, cinza rato, assim como manchado e cor merlo).

Cuidados Específicos

O Fila Brasileiro não requer cuidados minuciosos. O que precisa é de um dono autoritário e perseverante, que não se deixe impressionar.

Saúde

É um cachorro bastante saudável e, apesar de seu tamanho grande, não é muito propenso a sofrer de displasia coxofemural.


História do Fila Brasileiro

O Fila Brasileiro não é uma raça criada pelo homem, mas evoluiu de forma natural devido à necessidade por parte dos primeiros colonos do Brasil de terem um cão de trabalho vigoroso e energético. Os primeiros podem ser vistos em documentos históricos que datam 1671. As origens exatas dos primeiros Filas são desconhecidas. De qualquer forma, a maioria das pessoas está de acordo que o Fila Brasileiro é uma combinação de três raças básicas: os antigos Bulldog, Mastiff e Bloodhound. Alguns também acreditam que o Fila Terceirense também interveio na criação e desenvolvimento do Fila Brasileiro.

Uma das raças que contribuiu para sua criação foi o Engelsen Doggen. Estes antigos Bulldog foram frequentemente usados para a caça e para a luta. Foram trazidos para o Brasil durante a invasão holandesa, em 1630. Dele, o Fila herdou seu temperamento agressivo, sua teimosia e sua tenacidade. Alguns traços físicos que também compartilham são as orelhas levantadas, as cores da pelagem e um traseiro mais alto que a cernelha, uma de suas características distintivas.

A influência do Mastiff Inglês é claramente visível. Desses cães grandes e ferozes, o Fila obteve seu tamanho e sustância. Estes antigos Mastiff, frequentemente usados em batalhas e na caça, também transmitiram ao Fila Brasileiro a cabeça grande e forte, o peito curto e o traseiro curvado. Além disso, eles compartilham suas cores básicas e também a máscara preta.

Os Bloodhound foram importados para o Brasil no começo do século XIX devido à sua excelente reputação como cão de rastreio. A abundância de pele solta, o lábio superior e bochechas pendentes são características óbvias dessa raça, que também podem ser observados nos Fila. Qualquer um que tenha um pode dizer que as vocalizações do Bloodhound estão presentes no Fila atual. Muitos donos de Fila dizem que seus cães têm uma linguagem própria.

Outra teoria especula que uma quarta raça colaborou na formação do Fila Brasileiro: o Fila Terceirense, um cão pastor que foi trazido pelos colonos portugueses desde as Ilhas Azoras. Isso explica sua capacidade de pastoreio com o gado e também um traço que às vezes se veem nos Filas, sua cauda que se torce, de tal forma que muda sua direção para o lado. Essa característica física é a razão porque às vezes chamam o Fila de “cauda torcida” ou “cauda torta” no Brasil.

Por volta de 1930, o Dogue Alemão estava se tornando muito popular no Brasil. Apesar de, como raça, o Fila estar bem estabelecido nessa época, alguns criadores tentaram introduzir o sangue do Dogue Alemão no Fila Brasileiro. Esses cruzamentos não foram numericamente importantes e não fizeram nada pela melhoria da raça. Desde essa época, percebeu-se que tentar adicionar novas raças ao Fila podia prejudicar, ao invés de melhorar, seu temperamento equilibrado.

Em 1968 o Dr. Erwin Rathsam, junto com o Dr. Paulo Santos Cruz e o Dr. João Ebner escreveram o primeiro padrão oficial da raça. Até o momento, o Fila Brasileiro era considerado unicamente como uma raça de trabalho e, com aquilo, os Filas começaram a ser expostos no Brasil e julgados conforme o novo padrão.
Nem todos eles participavam dessas exposições, muitos deles continuaram desempenhando seus trabalhos como cães de trabalho. Esses cães nem mesmo possuíam pedigree e eram criados por sua utilidade.

A Fédération Cynologique Internationale (FCI) reconheceu a raça Fila Brasileiro oficialmente em 1968. O padrão foi apresentado em toda a Europa, incluindo Inglaterra, Holanda e Itália e permaneceu inalterado durante quase uma década. Mas em 1976 foi realizado o primeiro simpósio da raça e o padrão foi revisado. A fama do Fila Brasileiro continuou crescendo até 1982, quando se tornou a raça mais popular do Brasil, com 8.087 cachorros inscritos em um dos livros genealógicos para cães do Brasil.

Em 1983 foi realizado um grande congresso nacional no Rio de Janeiro. Seu objetivo era determinar as práticas de criação do Fila Brasileiro e falar sobre revisões para o padrão da raça. Com isso obteve-se um padrão mais detalhado e que segue valendo até hoje.

O Fila é uma raça que satisfez as necessidades dos colonizadores do Brasil. Eles precisavam de um cão que trabalhasse duro e que poderia realizar várias tarefas. Precisavam de um cão guardião, um cão pastor, um cão de caça e um companheiro leal e, todas essas características e muitas outras, podem ser encontradas no Fila Brasileiro.

O período colonial no Brasil foi um tempo em que havia grandes plantações açucareiras, que necessitavam muitos trabalhadores para seu funcionamento correto e, para isso, eram usados escravos africanos. A importação anual média de escravos durante essa época foi de 30.000. Os Filas eram usados para vigiá-los, pois frequentemente eram mais de 200 por plantação, evitar que eles fugissem e, se isso acontecesse, eram usados para seguir seu rastro.

Com o passar do tempo, a população se movia para as cidades e os Filas seguiram o mesmo caminho. Sua agressividade com os ladrões os tornou os favoritos dos proprietários da cidade. O Fila atual continua tendo esse temperamento com estranhos e é uma escolha popular como cão de guarda.


Características do Fila Brasileiro

Da mesma forma que a lealdade do Fila Brasileiro com sua família é insuperável, o mesmo se aplica ao seu desgosto com estranhos. O Fila possui uma “dupla personalidade” e é uma das raças cujo temperamento é tão significativo que os criadores deram mais importância para isso que para as características físicas. Esse é um dos principais aspectos que diferenciam o Fila do resto das raças.

O padrão oficial da raça é muito especifico no que diz respeito ao seu caráter e ao seu temperamento: “Sua valentia, determinação e bravura extraordinárias são parte de suas características. É dócil e obediente com seus donos e extremamente paciente com as crianças. Sua fidelidade se converteu em um provérbio brasileiro. Sempre procura a companhia de seu dono. Uma de suas características é a má vontade com estranhos. Tem um caráter calmo, aprumado e é confiante em si mesmo, sem se incomodar com ruídos estranhos, nem quando está em um novo ambiente. É um guardião insuperável da propriedade e também mostra inclinação, por instinto, a caçar presas maiores e a atuar como cão pastor.”.

A valentia, a determinação e bravura são evidentes desde novinhos. Os cães Fila com apenas oito semanas vão investigar qualquer objeto novo que for colocado na frente deles. Os cachorros jovens também latem para ruídos estranhos, investigando. Um Fila nunca deve demonstrar covardia ou medo e pode ser desclassificado de seu padrão se isso for verificado.

Outro traço que pode desqualificá-lo é a agressividade contra seu dono. Um Fila deveria ser sempre dócil com seu dono e sua família. É um mito que o Fila Brasileiro não seja bom com crianças: é totalmente o contrário disso, um Fila é muito tolerante com as crianças de sua família.

O Fila será muito feliz desfrutando da companhia de seu dono, o seguirá para onde for e ficará feliz de apoiar sua enorme cabeça sobre seu colo ou dormindo aos seus pés. Ao contrário de outras raças de cães guardiões, os Filas não são reservados: são muito carinhosos e afetuosos com sua família. Um dos aspectos mais importantes é sua ojeriza com estranhos, ou seja, sua má vontade, desagrado, aversão e até ódio. O Fila Brasileiro possui esses sentimentos com todos os estranhos, incluindo crianças, velhos, seus amigos e as pessoas da rua. É responsabilidade do dono dele acalmar esses sentimentos através de adestramento e uma socialização correta. Isso não significa que você desperta ojeriza nele, esse é apenas seu temperamento natural, que não deve ser eliminado totalmente nem com adestramento ou criação seletiva.

Raça verificada por:

Médico Veterinário (CRMV- SP 23.348), formado pela Universidade Paulista, Cirurgião Geral e Ortopedista no Hospital Veterinário Cães e Gatos 24 horas há 6 anos. Dr. Tubaldini é o Diretor de Conteúdo do portal CachorroGato e gestor da equipe de veterinários responsáveis pela ferramenta Dr. Responde.

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