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Basset Hound

Basset, Bassê, Hush Puppy

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Ficha do Basset Hound

Basset Hound

Em 1595, Shakespeare parece referir-se ao Basset Hound quando escreve em O Sonho de uma noite de verão: "meus cães de caça de queixo grande e cor de areia, com uma cabeça com orelhas caídas que recolhem o orvalho da manhã, com seus joelhos dobrados e barriga rasante, lentos quando rastreiam, mas com vozes profundas como sinos".

Origem

Apesar do texto de Shakespeare escrito durante o século XVI, é provável que os cães da raça Basset Hound sejam descendentes dos Basset d'Artois, introduzidos na Inglaterra no século XIX, misturando-se com várias outras raças caninas, mais especificamente Blood Hounds e Beagles. Os espécimes mais pesados eram mais utilizados como mascotes, enquanto os mais leves eram utilizados na caça à lebre.

Comportamento

O Basset Hound é carinhoso, pacato, calmo e amigável. Não é muito agitado ou rápido, e seu aguçado olfato aliado a um forte instinto de caça pode ser que, enquanto rastreando, obedeça a ordens. O Basset Hound não se demonstra agressivo ou amedrontado, mas pode agir com violência para defender crianças em seus cuidados.

Aspecto

O Basset Hound é um cão forte e de movimentos vagarosos. É característico da raça Basset Hound ter as pernas curtas em relação ao resto de seu corpo e orelhas muito compridas que caem para os lados da cabeça. Possui a pele enrugada na testa e ao redor da boca, sua cauda é longa e forte, e sua pelagem é lisa, curta e geralmente tricolor (preto, laranja e branco).

Cuidados específicos

Apesar da aparência de bonachão preguiçoso, a verdade é que o Basset Hound precisa de exercícios e corridas ao ar livre. Isso não muda o fato de que este cão é muito guloso, por isso o dono deve exercitá-lo diariamente e cuidar de sua dieta.

Saúde

O Basset Hound sofre muito com infecções nas orelhas, pois as mesmas se arrastam muito. Muitas vezes é preciso limpá-las bem, o mesmo cuidado é necessário com as pernas e a barriga. Alguns cães desta raça, pela sua constituição, tendem a ter dobras na pálpebra inferior, o que pode causar sérias inflamações, por isso é necessário ficar atento ao seu cão desta raça.

História do Basset Hound

Assim como a história de todas as raças de cães de caça, não se sabe com exatidão sobre a história do Basset Hound, pois parece ter-se perdido na antiguidade. Na tumba do faraó Tutmés III, foram encontradas imagens de cães largos e de estatura baixa com proporções semelhantes às deste cão.

Também é possível encontrar imagens parecidas em antigas esculturas sírias. Cães parecidos com o Basset Hound foram enviados desde a Síria até o Leste francês, entre os anos 120 e 200 d. C. Há escritores da época que descreviam esses cães e seu uso na caça de coelhos e lebres, assim como para rastreamento.

Mais tarde, quando o Basset Hound foi adotado pela nobreza, criou-se a profissão de criador, que nada mais era do que os encarregados da seleção e cuidados dos cães fora dos momentos de caça. Como a aristocracia dispunha de recursos, possuíam muitos cães, separados em grupos de acordo com suas qualidades. Na França, por exemplo, o terreno varia muito de lugar para lugar, portanto ter diferentes grupos de cães separados para cada tipo de terreno facilitava a caça. Apesar de seus movimentos lentos, a nobreza da época seguia seus cães de caça montados em cavalos.

Em 1879, Wildfowler escreveu sobre o uso de grupos separados de Basset Hound para a caça de animais diversos. O comportamento desta raça em relação à caça, em comparação aos Beagles, se mostrava notadamente diferente. Apesar dos Bassets serem levados à caça em grandes grupos, cada qual agia por conta própria. Não se afetavam facilmente por emoções alheias nem possuíam o hábito de avançar contra a caça de maneira descuidada. Cada cão preferia farejar e tomar suas próprias decisões e latiam apenas quando se animavam demais.

Os Bassets eram treinados para a caça de uma boa variedade de animais, entre eles a raposa e o texugo. Também eram adestrados na caça ao faisão e gansos, inclusive treinados para recolher a caça que por ventura caísse na água. Outra utilidade dos Bassets era a busca por trufas, um fungo absurdamente almejado na mais fina culinária francesa. O cão era treinado para farejar e localizar o fungo, voltando então para o criador e o levando ao local a ser escavado.

O Basset na França do século XIX era um cão menor, com uma musculatura esquelética um tanto mais frágil e mais ágil do que as subespécies encontradas na Inglaterra ou Estados Unidos. Os cães de pelo liso encontravam-se majoritariamente na região das Ardenas, Saintogne e áreas florestadas. As variedades de pelos longos habitavam, geralmente, a região da Bretanha e Vendée, onde o tempo era mais árido e os cães precisavam de maior proteção contra os ataques da natureza. Ao meio do século XX, as diferentes raças de Basset eram conhecidas como o Griffon de Vendée, o Artésien da Normandia, O Fauve da Bretanha (Griffon Dourado da Bretanha) e o Bleu de Gascogne (Azul da Gasconha). Os franceses conservaram estes cães principalmente por suas habilidades na caça em detrimento de seu inerente companheirismo.

Nos anos 60 chegou à França o Basset Hound como o conhecemos hoje. A FCI (Federação Internacional de Canis), da qual a França faz parte, considera o Basset Hound não um cão francês, mas sim uma produção britânica.

O Basset Hound no Reino Unido

Em 1986, o conde de Tournon demonstrou vários cães da raça Basset provindos de Artois, de pelo liso, a Lord Galway. Mais tarde, tais cães foram entregues a Lord Onslow. Chegou ao Reino Unido, também, direto do criadouro de conde Couteulx, um cão chamado Model (Modelo). Importado por Sir Everett Millais, em 1874, e que foi o primeiro a ser exposto nos concursos de beleza para cães no Reino Unido. Em 1877, conde Onslow importou Fino e Finette (Refinado e Refinada), também oriundos do criadouro de conde Couteulx. Model cruzou com Finette. Sir Onslow foi pago pela cruza recebendo um exemplar da raça, uma cadela chamada Garrenne.

O Basset Hound Club foi fundado em 1884. Nessa época, a diferença entre os Bassets franceses e britânicos se mostrava óbvia. Os 20 anos de cria fechada dos cães franceses originais haviam dado lugar e um cão mais magro e leve do que era almejado. Além disso, os cães não eram tão vigorosos como foram um dia e tinham uma menor resistência imunológica, além de problemas reprodutivos, no parto e durante o crescimento e desenvolvimento de filhotes, de modo que, em 1894, Sir Everett Millais se ocupou do assunto e cruzou seu Basset (Nicholas) com a técnica que conhecemos hoje como inseminação artificial.

Nicholas cruzou com uma fêmea da raça Bloodhound, conhecida como Inoculation. Os cães procedentes destas primeiras miscigenações voltaram a cruzar com cães da raça Basset, e notou-se que a anatomia dessa raça era predominante. Ao longo de algumas gerações já era impossível distinguir os cães provenientes desta cruza com os cães da raça Basset puros.

No início do século XX, o Basset cada dia se tornava mais popular e estava com seu lugar garantido na nobreza do Reino Unido. O primeiro quarto do século XX presenciou muitas crias de Basset e um patrocínio da rainha Alexandra da Inglaterra, que também criava cães de caça de pelo curto e longo em Sandringham.

O Basset Hound Club havia estabelecido uma norma para as exposições. Ela dizia “Não se deve conceder prêmio a um cão de caça com uma má estrutura corporal”. Os expositores, então, queixaram-se da má qualidade das avaliações e de que alguns cães da raça Basset com uma estrutura corporal ruim, ainda que com uma linda cabeça parecida com a de um Bloodhound, ganhavam. Em 1910, acreditando que o clube passava uma má imagem do Basset aos criadores, dando prioridade a cabeça em detrimento de um bom corpo e extremidades tão necessárias para a caça, os irmãos Godfrey e Geoffrey Heseltine, criadores do bem sucedido Walhampton, um criadouro, abandonaram o clube. Formaram, então, uma associação e compraram cães para a caça de coelhos.

O criadouro de Walhampton teve bastante êxito tanto com cães para fazendeiros quando animais para as exposições. Para melhorar sua cria, os Heseltine importaram mais cães da França. A miscigenação dos Bassets ingleses com os exemplares vindos da França deu origem a uma subespécie muito almejada e até exportada para os Estados Unidos. Devido ao infortúnio da morte dos irmãos Heseltine, Walhampton encerrou suas atividades em 1932.

 A Segunda Grande Guerra atrapalhou e muito a cria de cães em geral. Apenas treze Basset Hounds foram inscritos no livro de origens em 1939 e 1940, criado por Elms e Grew. As senhoras Elms e Grew se organizaram como puderam para criar os poucos exemplares que sobreviveram durante o conflito e, por sorte, ao término da guerra ambas possuíam animais de qualidade sobre os quais basear as próximas gerações.

O Basset Hound Club se desfez em 1921, devido às opiniões conflitantes entre seus membros e os resultados das exposições de beleza, campo e caça. De qualquer forma, em 1953, com um interesse renovado pela espécie no pós-guerra, o Basset Hound Club foi refeito e a senhora Ângela Hodson foi sua primeira presidente. A cadela utilizada na cerimônia de fundação vinha do criadouro The Grims, responsável por vários machos campeões no futuro do clube.

Características do Basset Hound

O Basset se adapta facilmente à maioria dos locais. Quer sempre conquistar as pessoas e lhes fazer companhia aonde quer que estejam. Seu nível de tolerância é extremamente alto o faz um companheiro ideal para as encapetadas crianças. Se dá bem com outros cães e suporta até mesmo os gatos. Pode ser um bom cão de guarda devido a seu latido grosso e alto, um ótimo alarme, além de ser extremamente protetor àqueles que considera como família.

Os Basset Hound podem ser adestrados, porém nunca chegaram a ser trabalhados coma precisão cirúrgica de um Dobberman, por exemplo. O Basset Hound responde ao seu chamado, mas leva seu tempo e sempre termina o que estava fazendo antes de obedecer ao dono. Como gosta de agradar, sempre aprenderá o que faz o dono feliz. Será tão obediente quanto for necessário para que o dono demonstre que está contente com seu comportamento.

No mais, não possui muitas “frescuras” em sua manutenção, precisando apenas de um controle rígido da dieta, incluindo apenas rações de alta qualidade. O olhar meigo e tristonho do Basset Hound atinge facilmente os seus donos. Não conseguindo resistir, acabam o alimentando mais do que deveriam, portanto um cuidador sem experiência pode contribuir para um quadro de obesidade no cão.

A linda pelagem curta não necessita de muitos cuidados, mesmo por que um excesso de cuidados não mudaria muita coisa em sua aparência. Fora isso, no que diz respeito à beleza, um corte de unha ocasional sempre lhe faz bem. Apesar de que muitas pessoas gostam do som de cães, um Basset Hound quando deixado sozinho tende a uivar e latir muito, o que pode trazer certas complicações em determinadas áreas urbanas.

O Basset precisa de um local onde haja alguém por perto a maior parte do dia, o que facilitará sua socialização e educação básica. Levando em consideração que hoje em dia o trabalho das pessoas as deixa longe de casa por um longo período de tempo, é necessário planejar algo para quando o cão for deixado sozinho. Não se deve deixar um Basset trancado na cozinha ou sala, pois logo se aborrecerá e buscará algo para fazer, em geral mastigar e estragar coisas. Todo cão, ao ser deixado sozinho, deve ser colocado em um cercado apropriado para o animal.

O instinto de caça e rastreamento do Basset Hound o levará a colocar o nariz no chão e a farejar e buscar o primeiro rastro que encontrar, por isso devem-se tomar providências para que não corra perigo.

Qualquer cão deve sempre passear com coleira e guia. Ao retirar qualquer um desses acessórios, deve-se certificar de que a área não possui tráfego algum. O instinto de caça do Basset Hound o levará a buscar e farejar algo que ache interessante e, como já informado, tende a não obedecer ordens até que termine algo que começou.

Nenhum cão gosta de estar preso enquanto a família está em casa. Particularmente o Basset Hound deve ser solto e permitido a participar das atividades em família, assim tornando-se um cão feliz e melhor adaptado ao seu grupo familiar.

Precauções com a saúde do Basset Hound

O hipotireoidismo é um problema comum em cães e afeta com frequência o Basset Hound de idade já avançada. A maioria dos cães nasce com certa regularidade no funcionamento da glândula tireoide, mas muitos sofrem com uma desregulação da mesma conforme a idade avança. O hipotireoidismo afeta diretamente as qualidades reprodutivas do animal e, felizmente, possui tratamento quando diagnosticado.

Os problemas nas juntas são tão comuns em cães quanto são em humanos e devido à configuração de seu corpo (patas arqueadas e corpo baixo) o Basset Hound pode sofrer de tais males com mais frequência do que outras raças. Deve-se tomar cuidado com o peso, alimentação e exercícios de seu Basset Hound, pois a obesidade pode agravar consideravelmente as possibilidades de que tais enfermidades ocorram.

Sinais claros de enfermidades nas vértebras podem ser notados quando o cão se recusa a subir ladeiras mais íngremes ou mesmo a pular dentro de seu carro, como geralmente faz com certa animação. Tremores, falta de apetite e o hábito de se esconder podem também indicar que o cão sofre de intensas dores nas juntas e vértebras. Tais problemas podem causar até mesmo paralisia parcial e ao notar os sintomas o criador deve imediatamente buscar a orientação de um veterinário.

Problemas relacionados ao mal funcionamento das plaquetas também são comuns em cães, e nos Basset Hound podem afetar seriamente as mucosas, causando sangramentos frequentes e inflamações, incluindo também um alto risco de infecções. As plaquetas formam a primeira tentativa corporal de defesa contra sangramentos. Quando um vaso se rompe ou uma ferida ocorre, caso as plaquetas não estejam desempenhando corretamente seu papel, pode ocorrer um prolongamento de sangramentos e ocasionar com que os mesmos ocorram com maior frequência. Através da cuidadosa seleção de cães feita por criadores experientes, problemas com as plaquetas tem sido cada vez menos recorrentes, mas ainda não é um risco eliminado.

O Basset Hound também sofre com frequência de um problema ocular conhecido como glaucoma. Acredita-se que o glaucoma seja hereditário. Nenhum criador profissional deve se sentir ofendido por perguntar acerca da frequência de aparição de tal problema em suas crias.

Uma outra enfermidade, conhecida como panosteitis, afeta com certa frequência cães da raça Basset Hound ainda em idade jovem. O diagnóstico do problema é muito delicado e precisa de muita precisão, sendo mal trabalhado por grande parte dos veterinários por não estarem cientes de sua frequente ocorrência neste cão. É recomendado que o diagnóstico seja realizado através de um raio-x e a chapa deve ser analisada por um radiologista experiente, pois os sinais podem ser muito brandos e difíceis de serem localizados.

Assim como outras raças de tórax profundo, o Basset Hound é vítima frequente de uma torção e dilatação estomacal. Os primeiros sintomas a aparecer serão a falta de apetite, abdome endurecido e a letargia. Tal enfermidade não escolhe idade e deve ser considerada uma urgência, buscando-se assistência veterinária imediatamente, correndo-se o risco de causar uma morte rápida e violenta ao Basset.

Como é viver com a raça

Bassets são cães de bando. Eles gostam de fazer parte das atividades, mesmo que tais atividades sejam nada mais nada menos do que fazer companhia à família que se encontra sentada assistindo TV. Dificilmente são indisciplinados ou agitados e se misturam bem com o grupo. Os Bassets dificilmente adoram algo mais do que um bom abraço no sofá.

Apesar de carinhosos e amigáveis, Bassets podem ser difíceis de adestrar. Eles tem uma memória seletiva para ordens, especialmente quando não há recompensas, sem falar na teimosia. Também podem ser bem barulhentos quando querem algo, uivando e “falando” em baixos resmungos até que seu pedido seja atendido.

Eles podem parecer desajeitados e até preguiçosos, mas na verdade são fortes e com muito fôlego e precisam de grandes cargas de exercícios diários. Também são conhecidos por sua esperteza na hora de roubar comida, portanto fique de olho aonde quer que guarde a ração ou alimentos que o possa interessar.

Um Basset Hound saudável pode viver até 12 anos. Limpe suas orelhas e os escove com frequência.

Raça verificada por:

Médico Veterinário (CRMV- SP 23.348), formado pela Universidade Paulista, Cirurgião Geral e Ortopedista no Hospital Veterinário Cães e Gatos 24 horas há 6 anos. Dr. Tubaldini é o Diretor de Conteúdo do portal CachorroGato e gestor da equipe de veterinários responsáveis pela ferramenta Dr. Responde.

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