Cachorros nervosos e as técnicas para lidar com seus donos | CachorroGato

Cachorros nervosos e as técnicas para lidar com seus donos

Tema de palestra apresentada durante a PSA 2014, o problema de cachorros nervosos pode encontrar solução na multidisciplinaridade

A existência de cachorros nervosos, impulsivos e até mesmo agressivos não é uma novidade para quem tem o mínimo de contato com estes animais e; embora haja pets extremamente dóceis e amorosos, também há outros que ainda contribuem para o medo de pessoas com experiências prévias traumáticas com cães.

Sob o título de “Donos neuróticos, pets nervosos: Mudando as pessoas para mudar os animais”, a palestra ministrada pela Médica Veterinária Dra. Carolina Rocha teve o foco direcionado para os cachorros nervosos e as técnicas que podem ser usadas pelos adestradores e especialistas em comportamento animal para solucionar esse tipo de problema – que, como já sugere o título da palestra, geralmente é causado ou incentivado pelos tutores do pet.

Cachorros nervosos

De acordo com Carolina, é fundamental que quem atua profissionalmente com o comportamento animal saiba se relacionar bem com as pessoas; já que, é por meio do contato com o dono do animal que serão descobertos os equívocos que levam o cão a ter certo tipo de comportamento e que será feito o incentivo para a mudança de atitude o tutor em relação ao animal – aumentando as chances de que os problemas do pet sejam solucionados.

“Há muitas pessoas que trabalham com o comportamento animal, mas não gostam de pessoas, somente de animais. E isso pode atrapalhar muito qualquer tipo de evolução, já que para ter resultados com os pets, é preciso se relacionar com o dono do animal; incentivando-o a realizar as ações que vão ajudar a solucionar a complicação comportamental pela qual o pet estiver passando”, comenta a doutora.

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De acordo com ela, a fórmula mágica pra a mudança de comportamento de um pet é o uso da multidisciplinaridade veterinária, ou seja, o uso conjunto de diferentes especialidades da veterinária para alcançar resultados concretos e positivos. A comunicação eficaz, o bom relacionamento humano e a individualidade de cada caso, portanto, são fatores que devem sempre estar no foco das atenções de quem trabalha com o comportamento animal – já que, é somente por meio da junção de todos estes fatores eu fica possível entender o problema e encontrar uma solução definitiva para ele.

“O trabalho para melhorar o comportamento do animal só é feito por meio do relacionamento que é criado com o seu tutor; até por que, atualmente, um dos motivos que mais aproxima os humanos e os animais é, justamente, o distanciamento que há entre as pessoas”, explica Carolina, acrescentando que o pet pode ser considerado um “radar emocional da família”, e tudo o eu acontece dentro do seu lar acaba, de alguma forma, refletindo neles.

Para que o processo de mudança e do condicionamento de comportamento do animal seja eficaz, é necessário saber sobre o histórico do seu tutor – para, deste modo, identificar situações que, por ventura, possam ter afetado o pet. Junto com isso, também é fundamental que o dono do bicho de estimação compreenda o diagnóstico, e é responsabilidade do profissional explicar quais foram os erros que desencadearam a situação problemática e ajudar o tutor a interpretar que tipo de situação pode ter contribuído para este quadro.

“Além de entender e saber interpretar o diagnóstico do cão, o tutor também precisa saber claramente qual será o processo que será realizado e por que ele deve ser seguido. Somente desta forma é possível ter o comprometimento e a ajuda do dono no trabalho que será feito”, ressalta a doutora, explicando que boa parte dos processos que acabam sendo atrapalhados pela falta de comprometimento dos tutores tem a falta de informação como principal responsável.

Segundo Carolina, o dono do animal deve participar do processo de mudança do animal, sabendo exatamente como agir e como manter esse comportamento em evolução, seno ajudado pelo profissional a desenvolver uma visão especial para medir o nível de desenvolvimento do pet por meio dos sinais de progresso que ele dá – pois, essa é a única forma de garantir bons resultados e concluir o processo.

Donos neuróticos, pets estressados

Barreiras na relação com o tutor

Segundo a especialista, há uma série de barreiras que acabam atrapalhando a relação do profissional com o dono do animal e, consequentemente, influenciando de forma negativa os resultados dos trabalhos realizados. São elas:

  • Resistência Por algum motivo – que pode incluir o recebimento de informações erradas em um período anterior ao do trabalho - o tutor não acredita que o processo pode trazer bons resultados
  • Falta de comprometimento Não acreditando nos resultados, o tutor se comporta de forma pouco participativa, e precisa de dados e informações concretas para considerar uma mudança nesse pensamento
  • Distorções cognitivas O dono do animal acaba atrapalhando o processo - mesmo sem querer - em função da forma descrente que pensa, e isso afeta as suas atitudes e a sua fala
  • Modo de pensar equivocado O tutor pode generalizar o tema e tomar por certo os dados errados que tenha escutado sobre esse tipo de trabalho; podendo, ainda, não ter informações prévias sobre o assunto, mas pensar de forma negativa e pessimista mesmo assim

Da mesma forma que o tutor pode atrapalhar muito o processo de mudança de comportamento, o próprio profissional também pode agir de forma pouco colaborativa para uma boa relação com o dono do animal. Rotular o cliente e já definir, previamente, que ele será ou agirá de uma forma específica é o primeiro passo para criar problemas no relacionamento – dificultando o processo de uma forma geral.

Cães neuróticos

Estratégias para um bom trabalho comportamental

Em função de tantas possibilidades de conflito e barreiras que podem afetar o sucesso do trabalho de mudança comportamental em cães, Carolina Rocha sugere uma série de dicas para que a relação entre profissional e tutor possa ser a melhor possível – fazendo com que o processo gere os resultados desejados e positivos. Confira:

  • Empatia no primeiro contato Se mostre amigável e crie um relacionamento com o cliente, procurando entender os seus problemas (que possam afetar o animal) sem julgamentos e com muita empatia
  • Conquistar a família Para que haja comprometimento e engajamento da família toda no processo realizado com o animal, é preciso conquistá-la; e tentar entender a rotina e os problemas que enfrentam é uma boa forma de fazer isso
  • Motivação em alta Nem sempre os resultados desse tipo de trabalho serão rápidos e, por isso, é preciso criar desafios ou diferentes propostas de trabalho que mantenham todos os tutores animados e motivados enquanto aguardam pelos resultados
  • Corpo são e mente sã Corpo e mente devem estar bem e descansados na hora de trabalhar. Pode até parecer que não, mas esse tipo de fator pode influir muito no resultado do trabalho e até na relação com os tutores
  • Dê o exemplo Assumir seus erros e não criar expectativas irreais na mente do cliente ao itens essenciais para a realização de um bom trabalho, pois, só se frustram os que esperam resultados totalmente impossíveis

Seguindo os passos descritos neste artigo e mantendo o envolvimento no processo com reforços positivos, calma e foco, fica mais fácil alcançar resultados bons e palpáveis – lembrando-se sempre de que, se o profissional não está bem, dificilmente fará um bom trabalho e, por isso, é preciso que ele se cuide antes de querer cuidar dos animais.

Link deste artigo: http://www.cachorrogato.com.br/noticias/cachorros-nervosos/

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Tags:
cachorro estressado, cachorros nervosos, multidisciplinaridada, profissionais do comportamento animal, tutores

ATENÇÃO: Esse conteúdo é meramente informativo e não substitui a consulta a um médico veterinário ou serviço especializado. Encontre um fornecedor próximo a sua casa.

Sobre o autor

Priscila Franco é a Community Manager e Editora-chefe das Notícias do Grupo CachorroGato. Formada em Jornalismo e Publicidade & Propaganda.

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