Atendimento emergencial de pets é detalhado pelo Dr. Nuno Paixão | CachorroGato

Atendimento emergencial de pets é detalhado pelo Dr. Nuno Paixão

O médico veterinário português lidera palestra na PET Rio Expo e aborda o atendimento emergencial e de urgência para animais de pequeno porte

Realizada durante a última semana, de 25 a 27 de março, no Centro de Convenções SulAmérica, no Rio de Janeiro (RJ), a PET Rio Expo contou com eventos paralelos à feira, onde profissionais gabaritados da medicina veterinária expuseram detalhes de suas especialidades para os espectadores. O português Dr. Nuno Paixão, médico veterinário do Hospital Veterinário Central de Portugal, foi um dos destaques entre os palestrantes do evento, e falou sobre o atendimento emergencial de pets.

Abordando os pontos fundamentais para que um atendimento emergencial ou de urgência seja realizado de maneira eficaz, Nuno Paixão ressaltou a importância de poder contar com profissionais, maquinário e acessórios totalmente preparados para esse tipo de ocasião; lembrando que, em casos de urgência, esse tipo de detalhe pode fazer a diferença entre a vida e a morte do animal.

Atendimento emergencial

Alertando sobre a hipóxia (baixa na oxigenação dos tecidos), que é considerada principal causa de paradas cardiorrespiratórias em cães e gatos, o profissional destacou a necessidade de checar de maneira atenta a respiração e as vias aéreas do animal em momentos de emergência, além de checar a possível presença de déficits neurológicos e a circulação e pressão sanguínea do animal – que pode indicar uma possível insuficiência renal e, com isso, auxiliar no tratamento de urgência.

“A urgência é uma situação em que o atendimento não pode ser adiado, e deve ser imediato – ao passo que uma emergência, embora também peça providências rápidas, não é uma situação tão crítica. Em qualquer um dos casos, é fundamental que a clínica ou o hospital veterinário que vai receber este paciente esteja completamente preparado para lidar com os casos, e isso inclui desde o material (que deve estar pronto e ao alcance dos médicos) até os próprios profissionais”, comenta Paixão.

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A ‘Hora de Ouro’ do atendimento emergencial

Segundo Nuno, pelo menos três profissionais devem estar de prontidão em um setor de emergência veterinária, incluindo médicos e enfermeiros, permitindo que o atendimento da urgência possa fluir sem maiores problemas e o monitoramento do animal possa ser feito de maneira adequada. Além do preparo dos profissionais que vão lidar com os animais, também é essencial que a organização dos locais de atendimento e das salas de cirurgia seja primoroso, para que o atendimento emergencial seja feito de maneira imediata.

“Não há tempo para preparar salas cirúrgicas ou de atendimento na hora de uma urgência, e esse tipo de detalhe deve ser verificado a todo tempo, para que os locais onde são tomadas as providências para salvar a vida do animal estejam sempre prontos para uso”, explica, acrescentando que todo o material e o maquinário destes setores de atendimento também devem estar devidamente preparados.

De acordo com ele, esse tipo de detalhe é tão fundamental em função da situação que dá origem ao termo “The Golden Hour” (na tradução, ‘A Hora de Ouro’), que consiste na primeira hora de vida de um animal após um trauma grave. Este é, justamente, o período de tempo mais importante em um atendimento emergencial ou de urgência; já que, tudo o que for feito durante essa primeira hora é o que tem mais chances de ajudar a salvar o pet prejudicado.

“Os animais podem apresentar taxas metabólicas bastante diferentes entre si e, por isso, esse período - que, normalmente é de uma hora – pode ser menor em alguns casos; exigindo um atendimento completamente preciso e imediato”, comenta o médico veterinário, que definiu uma série de pontos que podem ser altamente relevantes nos níveis de sucesso de um atendimento desse tipo, conforme exposto a seguir:

  • Extensão da lesão, trauma ou doença
  • Profundidade da lesão e número de traumas existentes
  • Condições de saúde do animal no período anterior ao trauma ou lesão
  • Tempo passado entre a hora do trauma e o atendimento
  • Início dos sintomas do animal e do tratamento
  • Capacidade da equipe médica presente no setor de emergência e nível de prontidão nos serviços de emergência
  • Equipamento e drogas disponíveis para o atendimento do animal doente
  • Capacidade de diagnóstico dos profissionais veterinários
  • Disponibilidade de sangue para o tratamento dos pets
  • Capacidade da estrutura de terapia de suporte e acompanhamento 24 horas do pet enfermo
  • Condição financeira do dono do animal

O dinheiro e o valor do atendimento emergencial

Como já é claro para muitos, o montante de dinheiro que um dono pode gastar para salvar a vida e a saúde de seu bichinho de estimação é um fator de grande influência para o sucesso ou fracasso de um atendimento emergencial – já que, poder desembolsar valores maiores podem trazer tratamentos muito mais efetivos do que os que podem ser realizados com montantes menores.

“Muitos proprietários acabam preferindo pagar por tratamentos mais baratos, e que fazem o animal melhorar ao longo de um período maior de tempo, do que desembolsar uma quantia grande de dinheiro para tentar resolver os problemas de uma vez. Sabendo que haverá medidas de valor menor e que podem ajudar, eles acabam optando por pagar menos; no entanto, em muitos casos, pagar um pouco mais pode gerar resultados melhores e mais rápidos”, esclarece o profissional.

Segundo Nuno Paixão, muitos dos donos que escolhem pagar menos no atendimento dos pets, no fim das contas, acabam pagando mais - já que, embora os tratamentos de menor valor também ajudem na recuperação, eles são mais demorados e; com isso, o proprietário paga diversas vezes por um tratamento menor que, se tiver os valores somados, custa mais do que o tratamento mais caro oferecido inicialmente, que poderia ter ajudado o pet a se recuperar de maneira mais rápida e eficiente.

“Quanto mais agressivo for o tratamento do pet lesionado durante as primeiras 24 horas após o trauma, melhores serão os resultados e, consequentemente, haverá menos gastos”, conclui, acrescentando que, outro fator em que se deve ficar atento na hora de um atendimento emergencial se refere ao tipo de informação que é dada pelo dono do animal quando ele chega ao hospital.

Dr. Nuno Paixão fala sobre o atendimento emergencial de pets

Os segredos do sucesso do atendimento de urgência

 “Como dizia o personagem de Dr. House, ‘as pessoas mentem’ e, em vários casos, o pet chega totalmente desidratado ou com um quadro bastante evoluído de doença e o proprietário diz que ‘ele começou a ficar assim ontem’. É preciso saber investigar os fatos e diagnosticar o bicho, podendo realizar um tratamento baseado no que foi descoberto pelo profissional – pois, acreditar cegamente nos dados fornecidos pelo dono do pet pode prejudicar mais do ajudar no tratamento”, explica o veterinário.

Um diagnóstico correto e rápido pode ser absolutamente relevante em um atendimento de urgência, segundo Paixão; e também pode ajudar a ganhar tempo precioso para que as chances de recuperação do animal sejam maiores. Portanto, cabe aos profissionais que atuam no atendimento emergencial saber quais os exames e procedimentos ideais para a realização de um diagnóstico; além da sequência correta com que estas verificações devem ser feitas – indo de acordo com as prioridades fisiológicas do animal em casa caso específico.

“É imprescindível que a equipe de plantonistas dos centros de emergência – especialmente se for composta por profissionais iniciantes – possa contar com o auxílio de médicos veterinários de bastante experiência para resolver problemas em que tenham dúvidas. Em muitos casos, estes profissionais despreparados, quando não têm ajuda suficiente, podem cometer erros e não querer trabalhar nunca mais com esse tipo de atendimento; sendo que, se tivessem a orientação de um médico veterinário experiente, esse tipo de situação poderia ser evitado”, alerta Paixão.

Área de prontidão

Além de profissionais bem preparados (ou que possam contar com o auxílio de veterinários mais experientes), a área de prontidão de um hospital ou clínica de animais deve, conforme citado anteriormente, contar com uma série de fatores previamente preparados – para que o atendimento emergencial seja feito sem demoras e tenha resultados melhores. Segundo Nuno Paixão, os itens a seguir são alguns dos que devem ser verificados com antecedência:

  • Locais de atendimento e salas de cirurgia devem estar sempre preparadas para pacientes mais graves
  • Ter oxigênio disponível e pronto para uso é essencial (sendo que clínicas que atendem animais de porte maior também devem providenciar meios de preparar balões com oxigênio suficiente para o atendimento destes pets – que precisam de uma quantidade maior em relação aos bichos de pequeno porte)
  • A verificação dos estoques e da arrumação do material necessário para emergências deve ser constante, e um tipo de check-list diário deve ser feito
  •  Esse tipo de equipamento deve estar sempre ao alcance dos profissionais, ficando próximo às salas de atendimento

No que se refere à materiais e equipamentos, pode ser uma boa ideia que estejam todos juntos e em uma estrutura com rodas, que possa ser facilmente transportada de um local para outro na hora do auxílio ao animal. Conhecido como “carro de crash”, essa estrutura com os equipamentos fundamentais para o atendimento emergencial (além das próprias salas de atendimento e cirurgia) deve conter:

  • ECG (eletrocardiógrafo)
  • Doppler ou osciloscópio
  • Aspirador
  • Oxigênio (deve ser trocado ou reposto sempre que for necessário)
  • Luvas para exames
  • Tubos endotraqueais de diferentes tamanhos
  • Cateteres traqueais e de sucção
  • Laringoscópio
  • Seringas cheias de ar
  • Material para traqueotomia
  • Cateteres diversos
  • Cateteres centrais
  • Agulhas espinhais
  • Suturas e diferentes tipos e tamanhos
  • Material cirúrgico
  • Aspirador cirúrgico
  • Tesouras de Mayo curvas
  • Retractor de Balfour
  • Desfibrilador
  • Fluidos
  • Drogas de emergência - como adrenalina - de preferência, já dentro da seringa (acompanhada por tabelas onde a dosagem possa ser identificada de maneira rápida de acordo com o peso do paciente)

Nos laboratórios de emergência, os itens fundamentais são:

  • Micro-hematócritos
  • Proteinas totais
  • Glucose
  • Lactato
  • Ionograma
  • Provas de coagulação
  • Microscópio

Outro fator importante e que deve ser ajustado da maneira ideal em todas as salas de cirurgia e de atendimento é a iluminação; e o profissional lembra, mais uma vez, sobre a importância de que seja feita a medição da pressão arterial dos animais, permitindo a identificação de problemas diversos e que podem influenciar tanto no atendimento emergencial como na saúde do animal como um todo.

Atenção e proteção no atendimento emergencial

Encerrando sua apresentação, Paixão alertou sobre a importância de que os profissionais veterinários se protejam na hora de tratar os animais, evitando contrair zoonoses e até doenças humanas que podem ser transmitidas nesse tipo de emergência.

“Há diversos casos onde os médicos veterinários acabam contaminados por doenças humanas e não sabem como; já que, o único tipo de sangue que poderia ser contaminado com o qual entrou em contato é de cães ou gatos. O que acontece é que, em situações de urgência, o dono do pet pode tentar ajuda-lo de alguma forma e acabar sendo mordido – com isso, o seu sangue fica misturado ao sangue do animal e, na hora do atendimento, o veterinário acaba contaminado pela doença que, na realidade, estava no corpo do dono do pet, e não do animal”, conclui.

 

 

 

 

 

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Sobre o autor

Priscila Franco é a Community Manager e Editora-chefe das Notícias do Grupo CachorroGato. Formada em Jornalismo e Publicidade & Propaganda.

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