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Torção Gástrica – Como prevenir o seu pet

Antigamente considerada fatal na maioria dos casos, a torção gástrica é mais comum e cães de médio e grande porte

Com causas primárias ainda desconhecidas, a torção gástrica é um problema sério que atinge, principalmente, os cães de grande porte, podendo, ainda, acometer cachorros pequenos em casos muito raros. Tendo a alimentação feita de maneira errada e exagerada como principal desencadeador, a torção gástrica canina é fatal em cerca de 60% dos casos tratados tardiamente, portanto, é de grande importância que os donos de pets de raças maiores saibam identificar os sinais dessa complicação.

Também conhecido como Síndrome da Dilatação Vólvulo Gástrico ou Torção de Estômago, o problema pode levar um cão ao óbito em questão de poucas horas, o que aumenta ainda mais a importância de que proprietários saibam reconhecer seus sintomas, já que, levar seu pet para um pronto atendimento com um profissional veterinário aumenta bastante as chances de que se salve o animal, tendo em vista que 100% dos casos não tratados de torção gástrica ocasionam a morte do cão.

Assim como no caso de outras doenças, determinadas raças contam com uma predisposição maior a apresentar o problema em alguma fase da vida, incluindo Dogue Alemão, Rottweiler, Boxer, Fila Brasileiro, Setter Irlandês, Labrador, Doberman, Irish Wolfhound, Terra Nova, Akita, Dálmata, Retriever de Pêlo Liso, Retriever de Pêlo Encaracolado, Deerhound, Borzoi, Bullmastiff, Husky, Old English Sheepdog, Basset Hound, Gordon Setter, Alaskan Malamute, Caniche Standard, Pastor Alemão, Weimaraner, São Bernardo e Golden Retriever, entre outras; sendo que a ocorrência desse tipo de complicação tende a crescer conforme o aumento da idade do animal.

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Fatores comportamentais, por incrível que pareça, também parecem aumentar a chance de que um animal passe pelo problema e, de acordo com uma pesquisa realizada pela Purdue University College os Veterinary Medicine (Universidade Purdue de Medicina Veterinária), nos Estados Unidos, cães mais tímidos e medrosos são mais suscetíveis à torção gástrica quando comparados com pets de personalidade mais alegre, curiosa e brincalhona.

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Conheça, a seguir, um pouco mais sobre este problema terrível e quase sempre fatal para os cachorros, e descubra como proceder no caso de o seu bichinho (ou bichão) de estimação apresentar os sinais dessa temida complicação.

 

Como acontece a torção gástrica canina?

Tendo a alimentação feita de maneira errada como principal fator de desencadeamento, a torção gástrica acontece por uma combinação de diversos fatores, que podem incluir a mistura de estômago cheio com atividades físicas, herança genética e certos detalhes da anatomia do cão (como porte grande e tórax profundo e estreito).

Na grande maioria dos casos registrados até hoje, o que causa o problema é uma sequência parecida com esta: o cão ingere uma quantidade exagerada de alimentos fermentáveis (como feijão ou grãos variados) ou líquidos, o que ocasiona a dilatação de seu estômago e, consequentemente, a sua torção, que consiste exatamente no que diz o nome: o estômago se torce, formando um nó.

As causas dessa tendência ainda não foram totalmente justificadas, no entanto, sabe-se que o estômago dos cães grandes, quando distendido, tende a girar bruscamente e torcer-se sobre si mesmo, cortando qualquer tipo de acesso sanguíneo ao local e impedindo a expulsão dos gases que produz.

Cheio de alimentos que precisam ser digeridos, o estômago não deixa que a comida seja eliminada do corpo do cão por meio de vômitos ou pela via intestinal - já que está presa dentro do estômago retorcido do animal - e, dessa forma, o volume do abdômen do cachorro passa a aumentar cada vez mais, devido a fermentação do alimento junto com a formação de gases naturais da região.

Além de um grande desconforto, o cão começa a sentir dificuldade para respirar e, como a torção do estômago compromete a circulação sanguínea de diversos orgãos da região, a absorção dos gases que resultam da fermentação na região causa a intoxicação do animal, que em poucas horas chega a morte se não for atendido prontamente por profissionais.

 

Sintomas da torção de estômago

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Os sintomas causados pela torção gástrica são bastante específicos e, na maioria das vezes, começam a aparecer cerca de três horas após a refeição do cão. O aumento repentino do tamanho do abdômen do animal é o primeiro sinal de alerta, sendo seguido, na maior parte das vezes, pela dificuldade de respiração e o aceleramento dos batimentos cardíacos do cachorro.

Salivação excessiva, tentativas de vômito, flatulência e a palidez das mucosas dos olhos e boca do cachorro também indicam a possibilidade de torção gástrica, que também causa uma agitação anormal seguida de apatia e, em muitos casos, a perda de consciência do animal. Um sinal muito comum é o animal ficar deitado com a respiração ofegante e o abdômen bem aumentado.

Ao perceber estes sintomas no seu amigão, não hesite, e leve seu pet com urgência à clínica veterinária mais próxima que encontrar, pois, o atendimento nesses casos faz a diferença entre a vida e a morte do cão.

 

Diagnóstico e tratamento da torção gástrica

Em alguns casos, a simples dilatação do estômago de um cão já pode passar a impressão de um problema mais sério, no entanto, na dúvida, o melhor a fazer continua sendo correr a uma clínica veterinária para prevenir maiores complicações. No caso de dilatações normais, o profissional da saúde animal poderá notar rapidamente a ausência de torções por meio da introdução de uma sonda gástrica na boca do animal, que deve descer até seu estômago.

Caso a sonda consiga chegar até a região pretendida sem problemas, o dono do pet pode respirar aliviado, já que, nos casos de torção, o instrumento não consegue chegar ao estômago do cão. No caso de algo bloquear a passagem da sonda, fica confirmada a torção, e uma cirurgia de emergência se faz absolutamente necessária. Se necessário pode ser usado para confirmação o exame de radiografia de abdômen.

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No entanto, antes que seja iniciado qualquer tipo de operação no animal, algumas ações específicas devem ser realizadas para que o quadro de saúde do cão seja estabelecido. Em primeiro lugar, quando possível é indicado que seja feita uma punção no estômago do cachorro, para que sejam retirados todos os gases da região e o inchaço possa diminuir, diminuindo a pressão intra-abdominal do animal e normalizando sua respiração e circulação sanguínea.

Feito isso, o médico veterinário inicia a fluídoterapia (soro), se for necessário, já aplica antibióticos e outras medicações para que seja controlada uma possível arritmia. Com isso, o quadro do cão se estabiliza e o próximo passo é a cirurgia, que se inicia pela retirada do baço do animal na maioria dos casos, assim permitindo o reposicionamento do estômago e a descompressão por meio de sonda gástrica ou grastrotomia (abertura do estômago) após isso se faz a gastropexia (fixar o estômago na parede abdominal) evitando que saia novamente de sua posição correta e diminuirá o risco de reincidência do problema de 80% para 5%.

 

Como prevenir a torção do estômago do cachorro

Felizmente, há algumas precauções que podem ser tomadas para diminuir o risco de que seu pet seja acometido pela torção gástrica, e até mesmo a cirurgia preventiva pode ser indicada para alguns cães que tenham uma predisposição maior a ter o problema. Simples e básicos, os cuidados que podem livrar seu cão desta complicação fatal são fáceis de serem postos em prática, e só dependem do nível de atenção de quem cuida do pet.

Para começar, é importante evitar que o cão faça apenas uma refeição ao dia, pois, dessa maneira, ele tende a comer mais na oportunidade que se apresenta e, assim, os riscos para que o problema ocorra aumentam consideravelmente. O ideal é que sua alimentação seja fracionada (assim como a dos humanos) em, no mínimo, duas porções ou mais ao longo do dia.

Também é indicado que o pet não beba grandes quantidades de água (ou qualquer outro líquido) de uma só vez, mesmo na hora de suas refeições. Impedir que o cão beba água diretamente de mangueiras também é aconselhável, pois, desta forma, o animal acaba engolindo ar junto com o líquido, e esse também é um fator que aumenta as possibilidades de que seja desencadeada uma torção gástrica.

Como o cachorro também pode acabar engolindo ar por comer de forma muito rápida ou por ter que se abaixar para comer e beber em suas tigelinhas, é uma boa opção servir suas refeições sobre um pequeno suporte, evitando esse movimento constante de abaixar e levantar para alcancar a comida.

Rações com poucas fibras ou com altas taxas de fermentação (incluindo amido, grãos e quaisquer alimentos ricos em hidrato de carbono) não devem fazer parte da dieta do seu animal de estimação, e ele jamais deve praticar atividades agitadas logo após as refeições, como correr e pular.

Com isso em mente, os donos de cachorros de grande porte já são capazes de prevenir as principais razões que favorecem o problema fatal da torção gástrica, lembrando sempre que, a qualquer sinal da ocorrência, não se deve tentar socorrer o pet por conta própria, já que o profissional veterinário é o único que conta com as habilidades e instrumentos necessários para salvar seu cão nessa situação.



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Saúde do Cachorro
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ATENÇÃO: Esse conteúdo é meramente informativo e não substitui a consulta a um médico veterinário ou serviço especializado. Encontre um fornecedor próximo a sua casa.

Sobre o autor

Médico Veterinário (CRMV- SP 10.687), formado pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia - Unesp com Pós Graduação em Oncologia Veterinária pelo Instituto Bioethicus e Pós Graduação em Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais pelo Instituto Qualittas. Responsável pelo setor de Oncologia Médica e Cirúrgica do Hospital Veterinário Cães e Gatos 24h. Dr. Toyota é integrante da equipe de Veterinários do portal CachorroGato e também responde por dúvidas na ferramenta Dr. Responde.

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