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Tomografia computadorizada em cães e gatos é realidade na veterinária

Saiba de que forma a tomografia computadorizada em cães e gatos ajuda os médicos veterinários no processo diagnóstico de diferentes doenças

Cada vez mais avançados, os exames de imagem na medicina veterinária ajudam cada vez mais profissionais do ramo a desvendar patologias de forma precoce e ajudar os animais de maneira mais eficiente. A tomografia computadorizada em cães e gatos é um ótimo exemplo disso e, assim como outros exames de imagem (incluindo radiografias digitais simples e contrastadas, a ultrassonografia e até a ressonância magnética), é usada com cada vez mais frequência nos diagnósticos de pets de pequeno porte, fornecendo informações e resultados de alta qualidade e utilidade.

Assim como nos exames de raio-x, a tomografia computadorizada em cães e gatos também pode fazer o uso de contrastes diversos para aumentar a visibilidade de determinadas estruturas que necessitem de uma investigação mais profunda bem como estuda-las de forma dinâmica – ampliando a possibilidade de reconhecer disfunções de forma precoce e, com isso, tomar medidas que facilitem os processos de tratamento, principalmente seu planejamento cirúrgico.

Indicado para avaliar detalhadamente e com ótima resolução espacial porções do corpo do animal, não possível por meio de outros exames de imagem (como as radiografias mais tradicionais), a tomografia computadorizada também se faz com o uso de radiação, sendo que há a geração de imagens radiográficas transversais de uma região determinada do corpo do cachorro ou gato, sendo possível realizar uma reconstrução em 3D, mostrando aos médicos veterinários as diversas estruturas e órgãos internos de maneira clara e precisa.

Confira, a seguir, como é feito o preparo e de que forma ocorre o exame de tomografia computadorizada em cães e gatos, além de suas principais indicações.

Preparo para o exame de TC veterinária

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Por precisar que o animal fique imóvel durante o procedimento, a tomografia computadorizada veterinária é realizada com a ajuda de sedativos ou anestesias que consigam manter o pet quieto e deitado na mesa de exame. Conforme citado ao longo da introdução deste artigo, este processo deve ser precedido de exames laboratoriais que viabilizem uma análise primária do estado de saúde do animal e da possibilidade de acidentes em função de medicamentos anestésicos, entre outros.

Cabe ao profissional veterinário responsável pelo animal se certificar de requisitar tais exames (que incluem hemograma e perfil bioquímico completo) – além de ecocardiograma e eletrocardiograma, para investigar alguma patologia cardíaca.

Além de tais averiguações primárias, para que o exame de TC seja realizado é necessário que o animal faça jejum completo – de comida e água – por pelo menos 8 horas antes do procedimento, sendo que o número de horas necessárias de jejum é equivalente ao peso do animal. Enquanto para cães e gatos até 10 quilos esse período é de 8 horas, os cães com até 40 quilos devem jejuar por 10 horas, e os que pesam mais de 40 quilos devem ficar 12 horas sem comer ou ingerir líquidos.

A tomografia computadorizada veterinária

Embora gere imagens de alta resolução que são de grande auxílio para a realização de diagnósticos veterinários, a tomografia computadorizada consiste em um exame bastante simples e rápido na sua realização e, após as devidas preparações do animal, basta colocá-lo deitado na máquina e contar com um profissional qualificado que saiba interpretar as imagens geradas.

Funcionando a partir dos mesmos princípios que geram as imagens tradicionais de raio-X, a TC veterinária emite radiações que são absorvidas de diferentes formas pelos variados tecidos do corpo do animal – possibilitando uma análise corporal mais profunda e que engloba desde a estrutura óssea até pulmões e fígado, entre outros órgãos.

A radiação emitida pela máquina de tomografia permite a geração de radiografias transversais do corpo do animal, produzindo imagens tridimensionais e a análise do corpo em forma de fatias; possibilitando que os profissionais veterinários tenham acesso à investigação de porções dos cães e gatos que só seriam possíveis por meio de exames absolutamente invasivos (ao contrário da TC veterinária).

O exame de tomografia computadorizada em si leva segundos ou poucos minutos para ser realizado – sendo que, em alguns casos mais específicos, o uso de contrastes pode ser requerido para que seja possível enxergar estruturas variadas de maneira mais clara e detalhada (sendo que as substâncias usadas como contraste nesse tipo de exame podem, em casos muito raros, provocar reações alérgicas nos animais).

Tomografia computadorizada x Ressonância magnética

Embora, de uma maneira geral, os exames de imagem de tomografia computadorizada e de ressonância magnética possam ser confundidos ou considerados muito similares (levando em conta que ambos analisam diferentes porções corpóreas dos animais em forma de ‘fatias’, identificadas pelo equipamento que realiza esse tipo de investigação), eles destacam algumas diferenças de extrema importância, e é em função disso que são considerados exames que se complementam.

Enquanto a tomografia computadorizada veterinária pode ser descrita como uma espécie de aprimoramento da radiografia convencional – possibilitando a investigação de órgãos e estruturas internos de maneira mais clara, por meio da obtenção de imagens tridimensionais das porções analisadas por radiações – a ressonância magnética faz o uso de um campo magnético para revelar a parte interna corpórea dos animais, aumentando tanto a qualidade da imagem como a precisão dos locais a serem observados (revelando especificidades e detalhes de tecidos moles, que não podem ser enxergados por meio dos exames de TC veterinária).

 

Principais indicações da tomografia computadorizada em cães e gatos

A sobreposição de estruturas no corpo dos animais é um dos principais motivos pelos quais os raio-x tradicionais não são capazes de enxergar tão profundamente a parte interna do corpo dos animais; e é, justamente aí, que entra a tomografia computadorizada – permitindo a avaliação e a investigação de porções mais detalhadas e escondidas.

Entre os principais especialistas veterinários que costumam requisitar o exame de TC podemos citar os oncologistas e ortopedistas; já que, por meio do procedimento é possível realizar:

  • Pesquisa de metástases, principalmente pulmonares;
  • Determinar a origem de grande massas tumorais abdominais e torácicas, bem como sua extensão e envolvimento de órgãos;
  • Planejamento cirúrgico de fraturas mais complexas;
  • Avaliação precisa de estruturas ósseas.

Confira, a seguir, quais são as regiões que costumam ser mais avaliadas por meio desse tipo de exame e alguns dos principais problemas que podem ser identificados de forma precoce nestas regiões por meio do exame de imagem da tomografia computadorizada veterinária:

  • Crânio
    O exame de TC veterinário permite o estudo da cavidade nasal, dos seios frontais, fraturas e determinar a extensão e o grau de envolvimento de outras estruturas dos processos neoplásicos, entre outros.

  • Coluna
    Com o advento da ressonância magnética, considerado o exame mais adequado para sua avaliação, as indicações da TC para esta região incluem apenas fraturas e luxações.

  • Tórax
    É o exame de escolha para melhor avaliar esta região. Tendo como algumas das principais indicações avaliar com clareza alterações no mediastino (uma das cavidades torácicas), a presença de nódulos metastáticos bem como neoformações primárias nos campos pulmonares, sendo que há, ainda, a possibilidade de realizar biópsias, tendo o exame tomográfico como guia.

  • Abdômen
    O estudo detalhado das vias urinárias, de anormalidades vasculares como os “shunts porto-sistêmicos”, realização de biópsias guiadas e planejamento cirúrgico de grandes massas por exemplo, são umas das principais indicações do exame de TC do abdômen.

  • Sistema músculo-esquelético
    As articulações ganham destaque no exame de TC veterinário, mostrando as estruturas ósseas que compõe os cotovelos, ombros e regiões pélvica e coxofemoral de forma clara e detalhada – assim como a existência de qualquer tipo de fratura ou luxação na região específica, lembrando que a avaliação dos tecidos moles que compõe essas estruturas devem ser avaliados por outras modalidades como a ultrassonografia e a ressonância magnética.



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Saúde do Cachorro, Saúde do Gatos
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ATENÇÃO: Esse conteúdo é meramente informativo e não substitui a consulta a um médico veterinário ou serviço especializado. Encontre um fornecedor próximo a sua casa.

Sobre o autor

Médica Veterinária (CRMV- SP 20.567) formada pela Universidade Estadual de Londrina - PR com Especialização em Radiodiagnóstico pelo Instituto Veterinário de Imagem (IVI). Responsável pelo setor de diagnóstico por imagem do Hospital Veterinário Cães e Gatos 24h atuando nas áreas de radiologia, ultrassonografia e ressonância magnética. Dra. Madi é integrante da equipe de Veterinários do portal CachorroGato e também responde por dúvidas na ferramenta Dr. Responde.

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