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Ruptura de ligamento cruzado em cães e gatos

Saiba como acontece a ruptura de ligamento cruzado em cães e gatos e como diagnosticar e indicar a cirurgia

Os problemas ortopédicos são bastante comuns na vida dos animais, e a ruptura de ligamento cruzado em cães e gatos é uma das complicações que podem ser consideradas comuns no mundo da medicina veterinária. Embora não haja fatores hereditários que favoreçam esse tipo de condição, ela infelizmente faz parte do grupo de complicações que dificilmente é prevenida; já que os fatores que a ocasionam dependem da execução de movimentos do próprio animal.

Provocada, na maioria dos casos, por arrancadas muito bruscas do animal, a ruptura de ligamento cruzado em cães e gatos pode ocorrer em animais de qualquer tipo de porte ou raça – pois, conforme exposto anteriormente, o problema é ocasionado pela força ou o mal jeito do movimento feito pelo animal; que, imediatamente, já apresenta sinais de muita dor e falta de confiança e capacidade em apoiar o membro prejudicado.

Provocado pelo deslizamento do fêmur sobre a tíbia, esse tipo de complicação deve ser tratado de forma imediata para que o animal possa se recuperar bem e retomar as suas atividades normais com facilidade; e vale lembrar que adiar a investigação e o início das medidas para tratar a ruptura de ligamento cruzado pode provocar outras conseqüências bastante desagradáveis para o animal (como a atrofia muscular, por exemplo).

Confira, a seguir, as principais causas do rompimento de ligamento cruzado em animais, seus sintomas, formas de diagnóstico e tratamento, e fique ligado no seu bichinho de estimação para evitar complicações mais graves na ocorrência de um problema desse tipo.

Causas da ruptura de ligamento cruzado em animais

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Embora haja casos registrados, a ocorrência da ruptura de ligamento cruzado é algo que dificilmente acontece no mundo felino, mas pode acontecer– sendo um problema muito mais comum no mundo dos cães.

Dito isso, vale ressaltar que os cachorros de raças com musculatura bastante forte e joelhos pouco resistentes destacam uma tendência maior a sofrer com esse tipo de problema – já que, ao disparar para uma corrida, o músculo do animal usa força suficiente para impulsioná-lo, enquanto os seus joelhos frágeis não contam com a capacidade necessária para ‘segurar’ a sua estrutura; provocando, assim, a ruptura do ligamento cruzado.

Raças caninas como Pitbull e American Staffordshire Terrier são algumas das que costumam sofrer com esse tipo de problema; sendo que outros cães reconhecidamente agitados ou que participam de competições (como o agility, por exemplo) também destacam probabilidades maiores de romper o ligamento cruzado em função de arrancadas mais bruscas, como é o caso dos cachorros Border Collie e Jack Russel Terrier.

Além das arrancadas fortes, os traumas também podem acabar sendo responsáveis pela ocorrência do rompimento de ligamento cruzado dos cães – entretanto, as conseqüências desse tipo de acidente provocam, na grande maioria das vezes, uma fratura; deixando os ligamentos do animal intactos. As arrancadas ‘de mau jeito’ dos cães também podem provocar esse quadro, e a permanência do animal em ambientes de superfícies lisas demais é algo que aumenta muito os riscos de movimentações atrapalhadas e que podem causar a ruptura.

Outro fator que também pode ser decisivo nesse tipo de situação é uma condição já existente de problema nos membros do animal, e a luxação de patela é um bom exemplo disso. Fazendo com que o animal coloque mais peso e força sobre um membro não prejudicado, a condição da luxação de patela sobrecarrega a perna do cão, e também desloca o joelho acometido, fazendo com que a ruptura do ligamento seja favorecida com algum estímulo mais brusco por parte do pet.

Sintomas do rompimento de ligamento cruzado

Ao contrário de muitos outros problemas ortopédicos em cães e gatos, a ruptura de ligamento cruzado faz com que o animal evidencie imediatamente os sintomas do problema; já que, quando ocorre esse rompimento, o animal sente uma dor muito forte e costuma gritar, deixando de apoiar a pata prejudicada no chão em função do sofrimento que este apoio causa.

Vale lembrar que é fundamental encaminhar o animal para uma clínica veterinária com profissionais competentes imediatamente após esse tipo de ocorrência; já que, além de ajudar a controlar e acabar com a dor do animal, essa providência também pode ajudar na recuperação do animal - que, em alguns casos, pode até mesmo dispensar a fisioterapia em função de um atendimento imediato para resolver o acidente com o ligamento.

Alem dos benefícios já descritos que o atendimento imediato pode gerar, é importante ressaltar que ignorar o problema pode provocar uma série de outros problemas para o cão prejudicado – já que, ao forçar demais a perna sadia (para poupar a machucada), o animal pode acabar rompendo, também, o ligamento da segunda perna; sem contar o fato da atrofia muscular, que pode ocorrer com certa facilidade quando o animal deixa de fazer o uso de um dos seus membros.

Diagnóstico da ruptura de ligamento cruzado em cães e gatos

A palpação é o principal método clínico de diagnosticar o rompimento do ligamento cruzado de cães e gatos, sendo que as técnicas do movimento gaveta e a compressão tibial são as mais usadas nesse sentido. Em alguns casos, exames de imagem podem ser requisitados para que o profissional veterinário confirme este diagnóstico e, geralmente, os raio-x do joelho sob estresse é o mais eficiente (pois, por meio da compressão tibial, a radiografia pode mostrar de uma forma mais evidente o desvio), a ressonância magnética também pode ser usada para diagnóstico e artroscopia em alguns casos.

Tratamento da ruptura de ligamento cruzado

O tratamento para o rompimento do ligamento cruzado em animais é, invariavelmente, cirúrgico – sendo que há diferentes técnicas praticadas no mundo da medicina veterinária para resolver esse tipo de quadro. O método utilizado para tratar o animal dependerá, no entanto, do tamanho, do peso e até do temperamento do animal – já que, se o cão prejudicado for um pet extremamente agitado, técnicas com materiais mais fortes são a melhor opção; enquanto animais mais tranqüilos não precisam, necessariamente, desse tipo de cuidado adicional. 

A sutura do ligamento cruzado rompido é, em muitos casos, feita com a ajuda de um fio de nylon ou outros materiais – que, mais uma vez, serão determinados de acordo com as características e a personalidade do animal machucado. Podendo ser feita por diferentes tipos de técnicas, a sutura que cura a ruptura do ligamento cruzado pode ser:

  • Intra-articular Por meio de uma sutura, o ligamento cruzado é refeito com a ajuda de um fio de nylon (ou outro tipo de material) ou até a fascia lata que é uma estrutura fibrosa do próprio animal.
  • Extra-articular Neste caso, a sutura que trata da ruptura do ligamento cruzado é feita por fora da região afetada, restringindo o deslizamento do fêmur sobre a tíbia e mantendo a articulação firme.
  • TTA O método cirúrgico de TTA promove o corte (osteotomia) da ligação do osso com os músculos do quadríceps do cão, que é recolocado em outro local mais avançado com a ajuda de um espaçador de placa e parafusos (durante a recuperação do animal) – permitindo que haja um equilíbrio muscular que limita o deslocamento da tíbia, resolvendo o problema.
  • TPLO A porção superior da tíbia é cortada com uma espécie de curva nessa técnica para que a articulação seja, de certa forma, nivelada; evitando o seu deslizamento com o fêmur e contando com a ajuda de placas e parafusos no período de recuperação do pet.

Recuperação de animais após cirurgia de ruptura de ligamento cruzado

O período de recuperação, assim como o tipo de cirurgia escolhido, também dependerá de fatores como temperamento, tamanho e peso do animal – sendo que, na maioria das vezes, o cão necessita de cerca de dois meses de repouso e fisioterapia para que o procedimento seja estabilizado e o pet possa retomar as suas atividades normais.

No entanto, esse período de repouso requer um grande nível de atenção por parte dos tutores do animal que passou pelo procedimento – já que, ao contrário dos seres humanos, os cachorros que passam por uma cirurgia não fazem ideia de que realizar atividades como correr e saltar pode botar tudo a perder.

Em função disso, em alguns casos pode ser necessário que os donos do animal o mantenham em uma área específica e restrita da casa (que não tenha superfície lisa) até que se recupere completamente; caso contrário, o animal pode acabar se machucando ao tentar correr, por exemplo. Em uma comparação simples, isso significaria o mesmo que uma pessoa que acaba de passar por uma cirurgia nos joelhos tentar jogar futebol – ou seja: uma péssima ideia.

Conforme citado anteriormente, o atendimento imediato do animal prejudicado pode ajudar muito no seu processo de recuperação, e prova disso é que os poucos animais que acabam tendo a fisioterapia dispensada pelos médicos veterinários são os que cuidam do problema da ruptura de ligamento cruzado imediatamente após a sua ocorrência.



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ATENÇÃO: Esse conteúdo é meramente informativo e não substitui a consulta a um médico veterinário ou serviço especializado. Encontre um fornecedor próximo a sua casa.

Sobre o autor

Médico Veterinário (CRMV- SP 23.348), formado pela Universidade Paulista, Cirurgião Geral e Ortopedista no Hospital Veterinário Cães e Gatos 24 horas há 6 anos. Dr. Tubaldini é o Diretor de Conteúdo do portal CachorroGato e gestor da equipe de veterinários responsáveis pela ferramenta Dr. Responde.

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