Mau Hálito em Cães - Como prevenir ou remediar

Ocorrência frequente na vida canina, o mau hálito em cães pode ter diferentes causas e sinalizar doenças perigosas

Tido como algo relativamente comum na vida canina, o mau hálito em cães não deve ser considerado algo normal ou sem importância por quem tem um pet em casa. Podendo ser causado por problemas e alterações de diferentes áreas do corpo do cachorro – incluindo desde a boca até os aparelhos respiratório e digestivo do animal – o famoso bafo canino deve ser investigado e tratado com atenção para manter seu amigão longe de complicações mais sérias.

Conforme já abordamos em outros artigos, a saúde bucal dos cachorros é um ponto que deve receber grande atenção por parte dos que tem um amigo de quatro patas em casa, e a higienização dos dentes e gengivas dos cachorros – ao contrário do que muitos acreditam - deve ser feita diariamente para evitar o mau hálito em cães.

Produtos específicos para a limpeza oral canina já podem ser encontrados no mercado pet, e a presença de dentistas veterinários cresce a cada dia no Brasil para ajudar os animais a terem uma saúde bucal perfeita.

No entanto, nem todos os proprietários têm esse cuidado constante, e isso pode fazer com que o mau hálito canino seja tido como algo normal, o que aumenta bastante o risco de que problemas mais graves possam se desenvolver. Conforme dito anteriormente, doenças na gengiva e o acúmulo de sujeira nos dentes são algumas das causas mais comuns para o mau hálito canino – e algumas raças sofrem mais com esse tipo de problema do que outras.

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As raças de pequeno porte e focinho curto tendem a possuir mais problemas com a saúde oral e o mau hálito e, por terem uma propensão maior ao acúmulo de tártaro, nomes como Poodle, Maltês, Yorkshire e Cocker Spaniel estão no topo da lista dos cães baforentos.

Problemas gastrintestinais, renais e respiratórios também podem desencadear um odor forte e desagradável na boca de seu cãozinho e, quando não tratadas, tais complicações podem levar seu pet a consequências que vão muito além de uma boca sem dentes, afetando, inclusive, órgãos vitais como coração, rins e fígado do animal.

Conheça, neste artigo, algumas das principais causas do mau hálito em cães e os problemas que podem ser desencadeados em função da falta de higiene bucal nos pets, além de dicas sobre como identificar os sintomas de uma doença mais grave e prevenir o aparecimento de novas complicações periodontais.

 

Mau hálito canino: sinal de perigo

Embora muitos possam achar normal o mau hálito em cães, reforçamos mais uma vez que não é; e ao notar que seu pet anda baforento, é preciso investigar as causas. Em cerca de 90% das vezes, a falta de higiene é a principal responsável pelo problema, causando o acúmulo de placas bacterianas na região e desencadeando uma série de outros problemas.

Diferentes sinais podem ser apresentados pelo animal acometido por algum problema periodontal, e caso seu pet evite comer, apresente gengivas avermelhadas ou com pontos de sangue e fique com dentes muito amarelados, não hesite em procurar por um profissional, pois, o conjunto destes fatores é o retrato mais comum de uma boca canina com problemas.

Dificuldade para engolir, dor na região da boca e até mesmo a depressão podem ser sintomas de problemas orais no cão e, sabendo que todos estes problemas podem ser potencializados com o tempo, quanto antes for tratado o animal, mais rápida e melhor será a sua cura e recuperação.

No entanto, problemas respiratórios, gastrintestinais, doenças renais, infecções e inflamações variadas, câncer e gengivite podem influenciar no aparecimento do mau hálito canino; e a solução para estes tipos de complicação, infelizmente, não é possível por meio da simples higienização frequente. Até mesmo a diabetes pode ter no mau hálito o seu primeiro sintoma, sendo que, nestes casos, o hálito do cão é bastante forte, porém, destaca um odor mais adocicado, conhecido tecnicamente como odor cetônico, que também se apresenta em casos de insuficiência renal.

A má digestão e o alargamento do esôfago do animal (megaesôfago), por exemplo, são alguns desencadeadores comuns da halitose em cachorros; tendo em vista que, quando o pet não consegue digerir sua alimentação de maneira adequada, o odor dessa comida pode ser uma constante na boca do cachorro, já que sua respiração passa a ficar com um cheiro forte e incômodo que sai por sua via oral.

Com isso em mente, fica fácil entender que a alimentação dos cães também é um fator decisivo para o aparecimento do mau hálito, assim como a coprofagia (quando o animal come fezes). Na maioria das vezes, são as bactérias as grandes culpadas pelos problemas com o hálito de cães, pois, quando presentes no corpo do animal, passam a produzir gases de mau cheiro, exalados pela boca.

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As doenças do mau hálito canino

A gengivite canina é, sem dúvidas, a complicação mais comum em cães com mau hálito, e ocorre em função da má higiene bucal do animal. Desencadeando uma inflamação na gengiva do cachorro, a falta de limpeza facilita o acúmulo de bactérias - que têm na boca inflamada do cão o ambiente prefeito para viver – e, consequentemente, da placa bacteriana.

O acúmulo de tártaro na boca do cão também traz problemas similares aos da gengivite e, com o passar do tempo, pode causar tanto dor como a queda dos dentes do pet – além de problemas mais sérios e que envolvem outras áreas importantes do organismo do animal.

A permanência de restos de alimentos presos aos dentes do cão é o primeiro passo para uma doença periodontal e, embora essa complicação possa ser controlada com a ajuda de medicamentos como antibióticos, ela pode ser a responsável pela entrada da infecção oral na corrente sanguínea do cachorro – causando diversos problemas que podem afetar gravemente o coração, fígado e rins do pet e até levá-lo a morte. Por isso, ao início dos sintomas, o indicado é procurar um profissional para indicação de um tratamento periodontal e, aí sim, sanar a doença em definitivo.

Além das infecções causadas pela falta de higiene, problemas sérios que incluem estomatites, úlceras, tumores, insuficiência renal, diabetes, dermatite perioral e até doenças auto-imunes como o lúpus podem desencadear o mau hálito em cachorros. Portanto, ao notar sinais de que há algo errado com a saúde oral de seu cão de estimação, uma consulta com um profissional veterinário deve ser imediatamente agendada, pois, somente ele poderá diagnosticar com certeza o que acomete o seu pet, além de indicar o melhor tratamento para ele.

 

Precauções e tratamento da halitose em cães

Conforme citado anteriormente, a escovação dos dentes dos cães é uma necessidade diária, e não deve ser ignorada, sendo a melhor forma de prevenção contra qualquer tipo de infecção oral em pets. Brinquedos como ossos e cordas de borracha – que podem ser encontrados em pet shops de todo o País – também servem como aliados na higienização bucal dos cachorros, entretanto, a escovação tradicional nunca deve ser deixada de lado nos hábitos de limpeza do seu cãozinho.

Hoje, o mercado do mundo pet já conta, inclusive, com pastas dentais especiais para os cãezinhos, que tem sabores variados de alimentos como carne e frango. Soluções orais para cães também podem ser encontradas nas lojas especializadas, e ajudam bastante para completar a higienização bucal do seu bichinho de estimação.

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Além da limpeza diária, é indicado que o cão com mau hálito seja levado a um dentista veterinário pelo menos uma vez ao ano, garantindo que placas bacterianas ou tártaro não tenham se formado nos dentes do pet e evitando tratamentos mais complicados para os diversos problemas bucais que podem ocorrer.

Para facilitar o processo de limpeza oral dos cães, é recomendado que o animal seja acostumado com o processo desde filhote e, sempre que o animal se comportar durante a higienização, ele deve ser recompensado de alguma forma – associando esse hábito saudável a algo positivo e divertido.

Nos casos em que o cão já tem uma doença periodontal causada por bactérias, o processo indicado consiste na remoção da placa bacteriana presente em toda a superfície dos dentes – e também na área debaixo das gengivas do animal – sendo realizado o polimento dental em seguida.

Esse processo pode ser bem doloroso para o pet, a anestesia inalatória é a mais indicada para que esse tipo de tratamento seja realizado e, portanto, as visitas frequentes a médicos veterinários são válidas como uma ótima forma de prevenção. Somente um profissional terá condições de avaliar que tipo de precaução pode ser tomada para evitar doenças e quais as melhores maneiras de tratar uma complicação já presente na saúde do animal.

A necessidade de visitas constantes a um dentista veterinário se faz ainda maior em casos que o pet apresenta fatores de risco como salivação exagerada, dentes mal posicionados, dificuldade para mastigar e idade abaixo de três anos.

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Saúde do Cachorro
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bafo, bucal, cachorros, cães, cuidados, higiene, mau hálito, pets, saúde

ATENÇÃO: Esse conteúdo é meramente informativo e não substitui a consulta a um médico veterinário ou serviço especializado. Encontre um fornecedor próximo a sua casa.

Sobre o autor

Médica Veterinária (CRMV- SP 20.567) formada pela Universidade Estadual de Londrina - PR com Especialização em Radiodiagnóstico pelo Instituto Veterinário de Imagem (IVI). Responsável pelo setor de diagnóstico por imagem do Hospital Veterinário Cães e Gatos 24h atuando nas áreas de radiologia, ultrassonografia e ressonância magnética. Dra. Madi é integrante da equipe de Veterinários do portal CachorroGato e também responde por dúvidas na ferramenta Dr. Responde.

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