Leishmaniose em Cães - Uma das doenças mais comuns no País

Tida como um problema de saúde pública, a leishmaniose em cães é uma das zoonoses mais comuns no Brasil e no mundo

A Leishmaniose em cães já é pauta de discussão entre os brasileiros há algum tempo, e segue no foco de atenção de campanhas em todo o País, buscando reduzir o número de cachorros e seres humanos que podem ser afetados por este terrível problema. Transmitida por meio da picada de um mosquito infectado, a doença – também conhecida como Calazar - é mais comum em áreas onde o saneamento básico deixa a desejar, e há fatores facilitadores da propagação do inseto que carrega o protozoário.

Tendo se tornado um problema que afeta cada vez mais animais ao longo da última década, a leishmaniose em cães também é chamada de Leishmaniose Visceral Canina e, apesar de já contar com diferentes métodos de prevenção, segue em alta nas regiões mais pobres do Brasil. Popularmente conhecido por Mosquito Palha ou Birigui, o Lutzomia Longipalpis (inseto que transmite o protozoário da doença) se reproduz, principalmente, em locais onde há áreas úmidas e o acúmulo de lixo, além de áreas de grandes matas.

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Embora seja incurável por completo, é possível realizar tratamentos que podem acabar com os sinais clínicos e epidemológicos desta zoonose nos cachorros, livrando-os dos sintomas da doença e da chance de transmitirem o problema. Em função disso, já há diversas campanhas de associações e ONGs que lutam pelos direitos dos animais e condenam as atuais políticas públicas que, para acabar com o problema da leishmaniose, tem a eutanásia do animal como principal prática.

Executar de maneira adequada as formas de prevenção ainda é a melhor saída para diminuir e, possivelmente, erradicar o problema – que além do Brasil, pode ser encontrado em mais de 80 países espalhados pelo mundo, sendo o continente europeu um dos mais afetados. Conheça, a seguir, um pouco mais sobre a leishmaniose em cães, e saiba dicas úteis para previnir, identificar e tratar a doença caso ela acometa o seu bichinho de estimação.

Leia Mais: Parvovirose Canina - Conheça a doença e saiba como prevenir seu pet

 

Leishmaniose Visceral Canina

 

Cada vez mais comum, a leishmaniose canina tem sido alvo da mídia e das atenções dos brasileiros em função do seu grande aumento no País ao longo de 2012 – ano em que os casos da doença cresceram em quase 30% no Distrito Federal somente no primeiro semestre. Transmitido pela picada de um mosquito flebótomo (inseto que habita regiões mediterrâneas e tropicais) fêmea, a doença pode acometer tanto cães como humanos.

Podendo se manifestar somente meses ou até anos depois de ser contraída, a leishmaniose nem mesmo apresenta sintomas em cerca de 20% dos cachorros infectados. No entanto, nos casos em que o problema se desenvolve, tanto os sintomas como as suas consequências podem ser bastante graves, e outras doenças imunes podem ser desencadeadas em função da complicação, podendo levar tanto cães como humanos comprometidos à morte.

Além de locais com pouca higiene e acúmulo de lixo, a propagação do mosquito que transmite a doença também é maior em grandes áreas de matas e árvores; onde a umidade que se aloja nas folhas caídas de árvores e na grama pode tornar o ambiente mais propício para o aparecimento dos mosquitos.

 

Os sintomas e o diagnóstico da leishmaniose em cães

 

Conforme relatado anteriormente, a leishmaniose canina pode passar um bom período no corpo de seu pet sem manifestar qualquer tipo de sintoma. Entretanto, o conjunto de sinais mais comuns em cachorros acometidos pela doença inclui perda de peso, pelagem opaca, falta de apetite, úlceras, anemia, apatia, inchaço nos gânglios, diarréias e vômitos persistentes, desânimo, o crescimento exagerado das unhas e a seborréia, caracterizada por feridas que não se cicatrizam da maneira esperada.

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Outros sinais bastante óbvios e que podem ser notados com facilidade nos cães com leishmaniose visceral são conjuntivites, hemorragias nasais, ferimentos na pele (nas áreas do focinho, orelhas, cauda, articulações e ao redor dos olhos), abdômen inchado, atrofia muscular, perda de pêlos e descamações na pele. Problemas de insuficiencia renal também podem ser causados pela doença em um estágio mais avançado, e outros órgãos como fígado e baço também podem apresentar complicações.

Por ter neste conjunto de sintomas diversos sinais que também podem ser associados a outras doenças, a única forma de se ter um diagnóstico preciso da leishmaniose visceral canina é por meio de uma visita a um profissional veterinário; que poderá realizar exames clínicos e laboratoriais no seu pet e eliminar todas as demais possibilidades de doença, podendo, desta forma, indicar o tratamento mais adequado para o animal.

Os exames laboratoriais que mais podem ajudar a confirmar o diagnóstico em cachorros incluem análises de sangue, em busca de alterações nas enzimas hepáticas ou alguma anemia no cão; e exames citológicos, onde é feita uma biópsia de tecidos de regiões como baço, fígado e medula óssea do pet.

 

Métodos de prevenção da leishmaniose visceral canina

 

A vacinação dos pets é, sem dúvidas, a melhor forma de prevenir que um cãozinho seja infectado pela leishmaniose e, hoje, o Brasil já conta com locais que disponibilizam este tipo de medicação, que destaca uma eficácia acima de 92% na proteção dos animais. Além da vacina (que pode ser administrada ao seu pet a partir dos quatro meses de vida), quem deseja deixar seu bichinho de estimação livre dos riscos da leishmaniose deve, sempre, evitar locais de pouca higiene, materiais orgânicos em decomposição e grandes áreas com matas.

No caso de ter que frequentar este tipo de local – com uma probabilidade maior ao desenvolvimento do Mosquito Palha – os donos de pets devem tomar o cuidado de adquirir uma coleira repelente, que liberta no animal uma substância de proteção conta os mosquitos e deve ser trocada a cada cerca de quatro meses para que sua eficácia seja mantida. Produtos repelentes a base de citronela também podem ser úteis para afastar os transmissores e protejer o seu cãozinho.

 

Tratamento da leishmaniose em cães

 

O comprometimento total do dono do pet é fundamental no tratamento da leishmaniose em cachorros e, por isso, o médico veterinário deve informar bem os proprietários em relação a todos os aspectos desse processo, incluindo questões de serviços, medicações, custos e exames que deverão ser realizados no cão doente com uma frequência determinada, além do risco de manter um animal portador em seu domicílio já que se trata de uma zoonose.

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Sem um tratamento específico existente, os cães acometidos pela leishmaniose podem realizar apenas o controle em relação ao avanço da doença com o acompanhamento de um veterinário, sendo que os resultados desse processo podem extinguir tanto os sintomas do animal quanto a sua possibilidade de transmissão no caso de ser picado.

Dito isso, vale a pena lembrar que, ao notar os primeiros sinais da doença em seu pet, uma visita a um profissional deve ser a primeira providência a ser tomada, já que, quanto antes for feito o diagnóstico e iniciado o tratamento, maiores serão as chances de seu pet seguir com uma vida relativamente normal.

Embora já haja medicamentos desenvolvidos específicamente para cachorros em regiões da Europa, o Brasil ainda não conta com vacinas para tratar esta doença e, em função disso, uma grande discussão tomou conta do mundo animal há alguns meses.

Por aqui, os medicamentos de uso humano (que tem um índice de eficácia de mais de 95%) passaram a ser usados em tentativas de tratamento para animais. No entanto, profissionais da área da saúde afirmam que o uso desse tipo de medicação pelos cães pode acabar reduzindo a eficácia no tratamento dos humanos, já que pode desencadear uma resistência maior do organismo das pessoas ao remédio.

O fato ainda gera bastante polêmica entre os protetores dos animais, já que, de acordo com as informações cedidas pelo Ministério da Saúde brasileiro, a eutanásia deve continuar sendo a principal forma de prevenção e controle da doença nas regiões mais afetadas do País.

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Saúde do Cachorro
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ATENÇÃO: Esse conteúdo é meramente informativo e não substitui a consulta a um médico veterinário ou serviço especializado. Encontre um fornecedor próximo a sua casa.

Sobre o autor

Médico Veterinário (CRMV- SP 10.687), formado pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia - Unesp com Pós Graduação em Oncologia Veterinária pelo Instituto Bioethicus e Pós Graduação em Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais pelo Instituto Qualittas. Responsável pelo setor de Oncologia Médica e Cirúrgica do Hospital Veterinário Cães e Gatos 24h. Dr. Toyota é integrante da equipe de Veterinários do portal CachorroGato e também responde por dúvidas na ferramenta Dr. Responde.

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