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Tudo sobre a gravidez psicológica em cadelas

Aprenda a identificar os sinais da gravidez psicológica, ou pseudociese, em cadelas e saiba como lidar com a situação

Também conhecida como pseudociese, a gravidez psicológica em cadelas é uma ocorrência bastante comum, e que pode acarretar em diversas complicações na vida das pets. Afetando mais da metade das cadelas não castradas, o problema pode acontecer, inclusive, em cachorras que nunca acasalaram; sendo que a fêmea que sofre com esta ocorrência uma vez tem grandes chances de passar pela situação em outras ocasiões.

Gerada em função de alterações hormonais no corpo do animal, a gravidez psicológica em cadelas pode ser explicada como um “engano” no organismo das fêmeas, desencadeando mudanças que afetam tanto a parte psicológica quanto a física do animal.

Embora o quadro seja mais comum em cachorras não castradas, ele também pode se desenvolver em fêmeas que forem castradas em um período de até três meses após o começo do cio, promovendo mudanças de comportamento que tornam a pet mais maternal e podem até influenciar o desenvolvimento do tecido mamário.

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Variando em cada caso, os sintomas da gravidez psicológica em cadelas podem ser bastante leves – fazendo com que o quadro nem ao menos seja notado pelos donos da pet – ou graves; sendo que, em muitos casos, a cadela que desenvolve a pseudociese pode passar pelo problema de maneira recorrente, apresentando sinais da situação em todas as vezes que ocorre o cio, apresentando sintomas mais claros como leite nas mamas, adoção de objetos como se eles fossem filhotes, entre outros.

Conheça, neste artigo, um pouco mais sobre esse quadro comum e complicado, e saiba quais são as melhores maneiras de prevenção e para lidar com uma cadela com gravidez psicológica.

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Como ocorre a gravidez psicológica em cadelas

A pseudociese começa a dar os seus primeiros sinais nas fêmeas entre dois e quatro meses após o fim do cio, quando é possível perceber comportamentos e sinais físicos alterados no animal. Mesmo sem ter acasalado, a cadela com gravidez psicológica passa a organizar ninhos pela casa, adotando objetos, brinquedos ou mesmo outros animais como se fossem suas crias.

Quase qualquer coisa pode ser adotada pela cadela como um filhote imaginário – desde um pedaço de pano até um bichinho de pelúcia, um brinquedo, uma bolinha ou o controle remoto da televisão – sendo que esse item específico passará a ser o foco de toda a atenção da fêmea, que encherá de carinhos e cuidados o “filhote” de sua escolha.

Podendo se tornar bastante agressiva, a cadela passa a rosnar, avançar para cima e até morder seus próprios donos quando se aproximam do seu “ninho”; já que, para ela, os brinquedinhos e itens colocados em seu cantinho especialmente preparado são os seus filhotes, e devem ser protegidos a todo custo. Falta de apetite, agressividade, depressão e carência de contato físico também são sinais típicos nas cadelas com gravidez psicológica, assim como a posse e a proteção extrema e exagerada em relação aos objetos adotados como cria.

Além das mudanças psicológicas e comportamentais, sinais físicos também podem ser notados nesta fase, e muitas cadelas ficam com seus tecidos mamários mais desenvolvidos, chegando, inclusive, a produzir leite (fator que, em muitos casos, pode evoluir para problemas mais sérios, como tumores na região). Esse quadro também pode favorecer o aparecimento da endometriose e de inflamações graves nas camadas do útero da cadela, fazendo com que a fêmea canina tenha muitas dores e possa desenvolver complicações.

Na maioria dos casos, as fêmeas passam a retomar seu comportamento normal após cerca de duas semanas de “gravidez”; no entanto, há casos em que a ajuda medicamentosa ou até cirúrgica como a castração pode ser indicada e, como o tratamento varia de acordo com os sintomas da cada fêmea, não há uma fórmula correta que possa indicar se haverá essa necessidade e nem se a cadela em questão desenvolverá os sinais físicos e psicológicos da pseudociese de maneira recorrente.

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Sem uma causa específica definida, a pseudociese ocorre em função de alterações hormonais no corpo da fêmea que, mesmo sem ter tido contato algum com um macho, desenvolve o quadro em função do seu instinto natural, que está sempre presente na vida dos animais.

Muitos casos de gravidez psicológica canina também são relacionados com o fato de a cadela em questão viver próxima a outro animal ou até mesmo uma humana gestante, no entanto, essa relação não tem fundamento científico e não foi comprovada. Embora muitos especialistas veterinários acreditem que estes casos possam ter um caráter hereditário, essa é outra possibilidade que nunca foi provada – dificultando a descoberta de fatores que possam ajudar a prevenir esse tipo de caso na vida das cadelas.

A progesterona é o principal hormônio ligado ao desencadeamento de tantas mudanças e, quando aumenta no corpo do animal, pode ser o grande responsável por manter a gestação imaginária nas cadelas. Quando isso ocorre, os níveis de estrógeno no corpo da fêmea caem e, com isso, os riscos para o aparecimento de um câncer no pet também são consideravelmente aumentados.

 

Complicações da pseudociese

Infelizmente, esse quadro bastante comum na vida das cadelas pode acarretar uma série de problemas bastante complicados, incluindo tumores, infertilidades e o câncer no animal. As inflamações no útero e a endometriose são alguns dos fatores principais para que uma fêmea canina tenha mais possibilidades de se tornar infértil, enquanto a disfunção hormonal é tida como fator de risco para o surgimento do câncer.

A inflamação nas glândulas mamárias da cadela – também conhecida como mastite – e o surgimento de tumores na região também podem ocorrer em função das alterações que ocorrem na fêmea, já que o leite produzido pelas cachorras com gravidez psicológica é reabsorvido pelo corpo, e isso pode causar consequências que incluem o empedramento do leite, dores, caroços e tumores na área, além de irritações na pele da região, que fica bastante avermelhada.

Nestes casos há, ainda, a possibilidade de que essa produção de leite seja mais estimulada pela própria fêmea (por meio da auto-sucção das mamas), aumentando tanto a gravidade como o período do problema – e o uso de colares elisabetanos (os famosos cones) são indicados para que a complicação não se agrave. Além de estimular a produção do leite, o ato da auto-sucção das mamas também pode causar feridas sérias na região mamária, necessitando de outros cuidados específicos.

Conforme citado anteriormente, o empedramento do leite também é uma possibilidade nos casos de pseudociese, podendo causar dor, febre e infecções sérias nas mamas das cachorrinhas.

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Prevenção da gravidez psicológica em cadelas

Embora não seja um método de eficácia garantida nos primeiros meses, a castração das fêmeas é uma das maneiras mais populares para se evitar a gravidez psicológica em cadelas, já que evita a produção dos hormônios ligados à gestação na pet e, dessa forma, diminui as chances do aparecimento do quadro.

Além de evitar a pseudociese, esse tipo de procedimento também previne a cadela contra crias indesejadas e todas as alterações de humor e agressividade que ocorrem nos casos de gravidez psicológica em fêmeas caninas.

 

Tratamento da pseudociese em cadelas

É extremamente importante lembrar que, ao notar os principais sintomas da pseudociese em sua cachorrinha, uma consulta com um profissional veterinário deve ser marcada – para que o tratamento adequado possa ser indicado e a pet não sofra com as consequências prejudiciais que esse quadro pode facilitar.

Na maioria das vezes, os comportamentos atípicos das fêmeas duram cerca de duas semanas, apenas, e desaparecem naturalmente – não necessitando de medicamentos ou medidas específicas para que a cadela seja tratada. Nestes casos, o procedimento indicado é que os donos deixem a fêmea o mais a vontade possível, sem tentar tirar suas crias imaginárias do ninho ou se aproximar demais, já que isso pode deixar a fêmea ainda mais agressiva e ansiosa.

Remédios para equilibrar a produção de hormônios podem ser receitados em casos mais graves e que podem trazer muitos riscos para a saúde da pet, ajudando a evitar problemas maiores como a inflamação nas mamas da cadela (em função da produção de leite).

Por meio desse tipo de tratamento – que envolve medicamentos que inibem a produção de prolactina - é possível fazer com que o leite produzido pela cadela seque, evitando o aparecimento de nódulos, tumores e quaisquer outras complicações mamárias no animal, além dos comportamentos alterados que as fêmeas apresentam durante esta fase.



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Fases da Vida dos Cães, Saúde do Cachorro
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ATENÇÃO: Esse conteúdo é meramente informativo e não substitui a consulta a um médico veterinário ou serviço especializado. Encontre um fornecedor próximo a sua casa.

Sobre o autor

Médica Veterinária (CRMV- SP 20.567) formada pela Universidade Estadual de Londrina - PR com Especialização em Radiodiagnóstico pelo Instituto Veterinário de Imagem (IVI). Responsável pelo setor de diagnóstico por imagem do Hospital Veterinário Cães e Gatos 24h atuando nas áreas de radiologia, ultrassonografia e ressonância magnética. Dra. Madi é integrante da equipe de Veterinários do portal CachorroGato e também responde por dúvidas na ferramenta Dr. Responde.

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