Filariose em Cães – Entenda a doença do verme do coração | CachorroGato

Filariose em Cães – Entenda a doença do verme do coração

Conheça a doença chamada de Filariose e saiba de que maneiras ela pode afetar o seu pet canino

Também conhecida como Dirofilariose ou “verme do coração”, a filariose em cães pode ser uma doença altamente destrutiva, levando o pet acometido ao óbito se não tratada de maneira correta ou em pouco tempo. Causado por um verme, chamado de Dirofilaria immitis, o problema é transmitido pela picada de um mosquito que tenha entrado em contato com animais doentes, afetando, principalmente, o ventrículo direito do coração do animal.

Embora seja uma doença mais comum em cachorros, a filariose também pode, ocasionalmente, ser transmitida para os felinos – sendo que o contágio ocorre da mesma forma que nos pets caninos (por meio da picada de um mosquito infectado). Embora seja uma doença devastadora, seus sintomas durante as primeiras fases são poucos e bastante comuns; podendo ser confundidos com outros problemas diversos.

Filariose canina

Este fato, além de dificultar bastante a identificação do problema, ainda faz com que a grande maioria dos donos de animais acometidos só percebam a presença da doença quando ela atinge os estágios mais avançados – época em que o animal já se encontra completamente debilitado e quando o tratamento se torna ainda mais difícil.

Considerada uma zoonose, a doença do verme do coração também pode afetar os seres humanos – no entanto, caso o seu cãozinho esteja acometido por este terrível problema, seus carinhos para ele podem ser os mesmos, já que não há riscos de contágio pelo simples contato. Conheça, a seguir, de que maneira a filariose age no corpo dos cães, e descubra de que forma pode ser feita sua prevenção e o seu tratamento.

Transmissão da filariose

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Conforme citado anteriormente, a transmissão da dirofilariose é feita por meio de mosquitos. O inseto pica um animal já contaminado pela doença e, se alimentando de seu sangue, traz para si o verme da filariose. Ao entrar em contato com um cão sadio, o mosquito acaba passando os vermes que carregou do animal infectado pela da ferida aberta (por onde o inseto se alimenta) – deixando no cachorro previamente saudável as larvas da doença, que vão migrar até o seu coração.

Esse processo de migração das larvas da doença ocorre em um período que varia de dois a quatro meses – sendo que as larvas imaturas se transformam em adultas e sexualmente ativas em aproximadamente 60 dias; possibilitando uma espécie de acasalamento entre elas que resulta em muitas microfilarias (nome dado aos ovos do verme), que são liberados na corrente sanguínea do animal possibilitando a transmissão da doença dele para outros animais sadios (sempre tendo o mosquito como agente transmissor).

Aproximadamente 90 dias após a entrada do parasita no corpo do animal, ele chega ao seu coração – se instalando no átrio direito e na veia cava - onde começa a fazer grandes estragos, incluindo lesões das mais diversas na região.

Embora todos os cães estejam, de certa forma, sujeitos à contrair a doença; regiões litorâneas e próximas à grandes áreas de mata contam com uma probabilidade maior de transmissão da dirofilariose – já que, nesse tipo de local, a incidência de insetos é consideravelmente maior em relação às grandes metrópoles.

Mesmo estas regiões contando com uma probabilidade maior de riscos da transmissão, em mesmo os grandes centros urbanos escapam da doença; e estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Maranhão, Minas Gerais, Alagoas e Cuiabá também apresentam registros do problema em cães.

Dirofilariose

Sintomas e progressão da filariose em cães

A manifestação de sinais clínicos da filariose em cães depende de uma série de fatores, incluindo o tempo em que o cão está contaminado, o nível de desenvolvimento da doença e, até mesmo, o nível de susceptividade do animal à doença – assim como o seu estado de saúde no período anterior a infecção.

Na grande maioria dos casos, os sintomas da doença só começam a ser notados durante as fases mais avançadas do problema – que ocorrem, geralmente, cerca de um semestre após a contaminação do animal. Perto desse período, sinais bastante comuns à uma série de outras doenças começam a se manifestar, como falta de apetite, apatia, tosse, dificuldade em respirar e aumento do ritmo cardíaco.

Embora haja cães que nem mesmo apresentem sintomas da dirofilariose, há outros em que o acúmulo de vermes no coração pode chegar a até 250 parasitas e, nestes caos mais extremos, os sinais costumam ser bem claros, incluindo alguns dos descritos abaixo:

  • Língua do animal com coloração escura (cianose)
  • Perda de peso
  • Febre
  • Tosse
  • Intolerância à exercícios
  • Fadiga extrema
  • Aumento de volume abdominal (em função de edema pulmonar)
  • Distensão do abdômen (em função do acúmulo de líquidos)
  • Intolerância à luz
  • Cegueira
  • Nódulos cutâneos (lesões na pele)
  • Alteração do nível das glândulas salivares

Diagnóstico da dirofilariose

O diagnóstico da filariose será feito por um médico veterinário, que - munido de informações passadas pelo dono do animal, além dos dados coletados durante um exame clínico – irá requisitar exames de sangue para detectar a presença de microfilarias na corrente sanguínea do animal (além de buscar, também, a presença de anticorpos no pet).

Uma série de outros exames laboratoriais também pode ser solicitada pelo profissional veterinário (para que se possa ter um diagnóstico concreto), incluindo radiografias e ecocardiogramas – que, na maioria das vezes, são pedidos nos casos em que o desenvolvimento da doença já é bem avançado.

Filariose em cães

O diagnóstico da dirofilariose pode ser feito com bastante precisão, e isso é altamente necessário para que seja possível dar ao animal o tratamento mais adequado e indicado pelo médico – que irá avaliar todo o conjunto de circunstâncias e desenvolvimento do quadro do pet para receitar os procedimentos mais eficazes na luta contra os parasitas da Dirofilaria immitis.

Prevenção e tratamento da filariose

Assim como no caso de qualquer outra doença que possa ser perigosa (e até fatal) para o seu pet, a melhor forma de tratamento é a prevenção. No caso da filariose, embora não haja uma vacina, já há medicamentos específicos no mercado desde o início da década de 90 para o combate da doença – ajudando os donos de pets a manter seus bichinhos de estimação sadios e despreocupados com a presença de mosquitos.

Os remédios contra a doença podem ser de tipos e origens diferentes e, portanto, consultar um profissional veterinário é a melhor maneira de ter a certeza de estar dando o medicamento correto para seu pet. Facilmente administrados, os remédios contra a dirofilariose são, na maioria das vezes, comprimidos ou líquidos (para administração com seringa); e devem ser fornecidos aos cães mensalmente, a partir dos seus 60 dias de vida – ou,pelo menos, próximo ao período que o animal vá a algum lugar endêmico (onde possa haver a doença).

Mesmo isto podendo parecer um exagero, a administração dessa medicação não deve cessar; já que, seu efeito não dura mais que um mês e, conforme citado anteriormente, os animais estão sujeitos à contaminação em quase qualquer lugar – incluindo as grandes cidades (mesmo que afastadas de regiões litorâneas ou de mata). Para qualquer tipo de mudança na administração dos remédios, um veterinário deve ser consultado, pois, como sempre ressaltamos: ele é o único capaz de lhe orientar da melhor maneira para manter seu pet saudável.

No entanto, os pobres cãezinhos que não puderam ter acesso à essa imunização e , por infelicidade, estão contaminados pela filariose canina, também podem ser salvos – já que a doença tem tratamento. Infelizmente, há uma série de efeitos secundários que podem prejudicar os cães em tratamento; e quando os vermes no coração do animal já são adultos, a eficiência de qualquer tratamento medicamentoso é bem reduzida, requerendo uma intervenção cirúrgica e bastante arriscada para tentar salvar a vida do animal.

Para os cães que descobriram a presença da doença em estágios menos avançados, o tratamento consiste na aplicação de medicamentos injetáveis e orais, que trabalham para extinguir a vida dos vermes que estão abrigados no animal. No entanto, estes parasitas que morrem dentro do bicho precisam de algum tempo pra que se desintegrem por completo, e isso requer repouso absoluto por parte do cão durante e, em muitos casos, após o tratamento – caso contrário, a possibilidade de que efeitos secundários apareçam se torna ainda maior.

Infecções variadas e até a trombose são algumas das possibilidades provenientes do tratamento da filariose canina e, por isso, muitos veterinários já receitam medicamentos adicionais para evitar o aparecimento de novas infecções e para controlar reações que podem ocorrer enquanto os vermes são eliminados do corpo do pet. Dito isso, fica bem claro que levar seu pet ao veterinário periodicamente e fazer a prevenção de doenças são atitudes que podem fazer toda diferença entre a vida e a morte do seu querido animal de estimação.



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Categorias:
Saúde do Cachorro
Tags:
cachorros, dirofilariose, doença canina, filariose, verme do coração

ATENÇÃO: Esse conteúdo é meramente informativo e não substitui a consulta a um médico veterinário ou serviço especializado. Encontre um fornecedor próximo a sua casa.

Sobre o autor

Médico Veterinário (CRMV- SP 23.348), formado pela Universidade Paulista, Cirurgião Geral e Ortopedista no Hospital Veterinário Cães e Gatos 24 horas há 6 anos. Dr. Tubaldini é o Diretor de Conteúdo do portal CachorroGato e gestor da equipe de veterinários responsáveis pela ferramenta Dr. Responde.

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