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Eletrocardiograma em cães e gatos

Saiba como o exame de eletrocardiograma em cães e gatos pode auxiliar nos diagnósticos dos profissionais veterinários

Fundamental para a cardiologia veterinária, o exame de eletrocardiograma em cães e gatos é uma das ferramentas mais poderosas dos dias de hoje, pois fornece informações importantes ao médico veterinário permitindo, muitas vezes, chegar a um diagnóstico preciso de cardiopatia - ou mostrar sinais de que algo não está normal com o coração dos pets. Com a vantagem de não ser um exame invasivo para os animais, o procedimento é indolor, realizado com facilidade e em pouco tempo (cerca de dez minutos).

Disponível, atualmente, na grande maioria dos hospitais, clínicas e centros de diagnóstico veterinários, o eletrocardiograma em cães e gatos permite uma análise profunda da atividade elétrica cardíaca dos pets que, captadas pelo equipamento, são registradas em formas de ondas – para que a avaliação dos dados colhidos possa ser feita.

Embora seja muito realizado em animais de pequeno porte – como no caso de cães e gatos tidos como bichinhos domésticos de estimação – o eletrocardiograma (também conhecido pela sigla ECG) também pode ser feito em bichos como cavalos, por exemplo; permitindo a avaliação de problemas cardíacos em animais de grande porte.

Bastante usado para identificar a chance de possíveis complicações em períodos pré-operatórios, o ECG veterinário também é utilizado para monitorar pacientes com cardiopatia ou mesmo após a administração de drogas que tem a alteração de ritmo cardíaco entre os seus efeitos.

Confira, neste artigo, de que forma é realizado o eletrocardiograma veterinárioem cães e gatos e quais são as principais indicações deste exame para os bichos de estimação:

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O exame de eletrocardiograma veterinário

Também usado com enorme frequência no mundo da medicina humana, o ECG veterinário segue um processo bastante similar ao realizado em pessoas – sendo que o procedimento do exame consiste, basicamente, na colocação de eletrodos em partes específicas do corpo do animal (que irão captar as atividades elétricas cardíacas do paciente e possibilitar que o equipamento usado no exame registre as informações necessárias para uma análise mais precisa por parte do profissional veterinário).

Ao contrário de outros exames de imagem da medicina veterinária – como ultrassom, raios-x, ressonâncias magnéticas e tomografias computadorizadas – o eletrocardiograma veterinário não exige nenhum tipo de preparo para a sua realização (como jejum por determinado período ou tricotomia), podendo ser feito no animal a qualquer hora que for julgado necessário.

Embora não haja a necessidade de preparos específicos para a realização do exame, é preciso que o animal em questão permaneça um tanto ‘comportado’ na hora do procedimento – já que níveis altos de agitação ou agressividade podem atrapalhar muito a realização do processo e até os resultados do próprio exame.

Conforme citado anteriormente, há algumas regiões (mais especificamente, oito regiões) específicas no corpo do animal onde os eletrodos utilizados para captar a frequência cardíaca dos animais são colocados, também chamadas de derivações periféricas ou derivações eletrocardiográficas.

Definidas por meio das siglas D1, D2, D3, aVR, aVL e aVF, as derivações periféricas do animal são obtidas com a colocação dos eletrodos nas extremidades de seus corpos; sendo que há, ainda, de quatro à seis derivações chamadas de precordiais na região do tórax do animal, onde outros eletrodos são posicionados em posições específicas – e, geralmente, são utilizadas somente quatro (CV5RL, CV6LL, CV6LU e V10) 

Por meio da colocação exata de tais eletrodos no corpo do animal, é que se torna possível investigar a atividade elétrica do coração por meio da análise de um profissional capacitado e que saiba interpretar os resultados de um exame de ECG – podendo, assim, chegar a diagnósticos precisos, pois o exame mostra detalhadamente a atividade elétrica em várias regiões cardíacas simultaneamente

Para que os eletrodos fiquem devidamente conectados ao corpo do animal e possam promover a condução elétrica necessária, eles devem ser umedecidos com álcool.  O paciente deve permanecer deitado sobre sua lateral direita durante o procedimento, que dura por volta de três minutos para que a avaliação das dez derivações cardíacas possa ser registrada.

Além da medição da frequência cardíaca normal, o exame de ECG veterinário também é bastante usado para fazer a monitoração dos batimentos cardíacos do animal quando é feita a utilização de drogas como a atropina, por exemplo – utilizada em muitos casos para avaliar as respostas do coração frente à diferentes estímulos.

O equipamento de eletrocardiograma veterinário

Com os avanços tecnológicos dos equipamentos da medicina veterinária, já há uma série de variações no mercado das máquinas usadas para a realização do exame de ECG em cães e gatos; incluindo, até mesmo, equipamentos portáteis – que permitem a avaliação do animal em seu próprio lar.

Atualmente, o eletrocardiógrafo digital é considerado o aparelho mais ‘avançado’ entre os que realizam esse tipo de exame – já que permite selecionar, no computador, um trecho específico daquele registro e com menos interferências; no entanto, os que funcionam por meio de fitas termossensíveis também são usados por muitos estabelecimentos ainda nos dias de hoje.

Principais indicações do ECG veterinário

Como já explicado ao longo do artigo, o principal objetivo para a realização do exame de eletrocardiograma em cães e gatos é a avaliação da frequência e ritmo cardíaco – no entanto, além de possibilitar essa investigação, esse tipo de exame também pode ser requisitado para analisar outros aspectos cardíacos do animal; sendo indispensávelno período pré-operatório (avaliando possíveis riscos relacionados à anestesias ou aos procedimentos cirúrgicos, de fato).

A possibilidade de arritmia também é um fator que geralmente preocupa o veterinário, fazendo com que o ECG seja solicitado nos casos onde há suspeita dessa alteração, como:

  • Casos onde o animal fica cansado com muita facilidade ao realizar atividades físicas
  • Pulso (batimentos cardíacos) irregular – seja com batidas muito fracas, muito aceleradas ou significativamente alteradas
  • Episódios de síncopes (desmaios)
  • Cianose (aparência azul-arroxeada) de língua
  • Desconforto ou dificuldade ao respirar

Além da suspeita de arritmia, qualquer tipo de sinal que possa estar relacionado à uma possível cardiopatia (doença cardíaca) também costuma influenciar a requisição de um exame de eletrocardiograma por um médico veterinário profissional. Confira, a seguir, uma lista com alguns dos motivos que fazem o eletrocardiograma ser solicitado:

  • Sinais de arritmia (ou seja, a irregularidade dos batimentos cardíacos) percebidos através da auscultas – averiguação dos batimentos do animal feita com a ajuda de um estetoscópio
  • Existência de episódios convulsivos e síncopes
  • Disfunções eletrolíticas; que envolvem anormalidades em níveis de cálcio, sódio e, nos casos dos pets, principalmente potássio
  • Avaliação dos efeitos de fármacos cardíacos digitálicos (que aumentam o bombeamento de sangue pela força do coração e baixam a frequência cardíaca), como a digoxina, por exemplo.
  • Dificuldade e desconforto ao respirar (quadro também conhecido como dispnéia)
  • Diagnóstico ou suspeitas de arritmias ou cardiopatias
  • Exames pré-cirúrgicos (principalmente, em animais idosos, já debilitados por alguma patologia, ou raças predispostas a algumas alterações no ritmo cardíaco) para evitar complicações com anestesias ou no próprio procedimento cirúrgico
  • Monitoração da frequência cardíaca de animais cardiopatas
  • Aparência azulada ou arroxeada de mucosas (oral e ocular, por exemplo) ou da língua
  • Avaliação rotineira do estado de saúde de animais com idade acima de 6 anos
  • Patologias que afetam o coração dos animais e podem causar arritmias, como piometra, pancreatite, neoplasias ou uremia (elevação de uréia no sangue)
  • Controle e manutenção de tratamentos antiarrítmicos com uso de medicações (o ECG pode mostrar alterações que indiquem a necessidade de alteração de doses ou troca dos medicamentos)
  • Acompanhamento de animais cardiopatas por meio de exames de eletrocardiograma periódicos

Dito isso, fica claro que, independentemente do estado geral de saúde do seu bichinho canino ou bichano de estimação, é fundamental consultar um profissional veterinário ao notar sintomas como os descritos acima – garantindo a definição precoce de uma patologia como uma cardopatia e, com isso, possibilitando o início imediato de um tratamento, permitindo assim maiores chances de bons resultados para a saúde e o bem-estar do animal. 

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ATENÇÃO: Esse conteúdo é meramente informativo e não substitui a consulta a um médico veterinário ou serviço especializado. Encontre um fornecedor próximo a sua casa.

Sobre o autor

Médico Veterinário (CRMV- SP 23.348), formado pela Universidade Paulista, Cirurgião Geral e Ortopedista no Hospital Veterinário Cães e Gatos 24 horas há 6 anos. Dr. Tubaldini é o Diretor de Conteúdo do portal CachorroGato e gestor da equipe de veterinários responsáveis pela ferramenta Dr. Responde.

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