Convulsão em cães e gatos: Como lidar com esse problema? | CachorroGato

Convulsão em cães e gatos: Como lidar com esse problema?

Entenda o que provoca a convulsão em cães e gatos e siga cinco passos para contornar esse tipo de episódio no seu pet

Um dos maiores motivos para as consultas neurológicas em hospitais veterinários ou clínicas especializadas é a convulsão em cães e gatos: uma condição que traz prejuízos a saúde, segurança e bem-estar dos animais acometidos. 

Causada por um excesso de estímulos neuronais em uma área cerebral específica, a convulsão em cães e gatos ocorre se o estímulo elétrico excessivo se manifesta em apenas um ponto do hemisfério cerebral – sendo conhecido como convulsão focal, e podendo se apresentar de inúmeras formas; que incluem desde breves momentos de ausência de consciência (em que o animal fica alheio ao ambiente) até tremores ou contrações musculares involuntárias sutis, que podem durar por alguns segundos ou minutos. 

Devido a migração do estímulo para outras áreas cerebrais, ocorrem, então, as crises convulsivas generalizadas; caracterizadas por um quadro mais grave, onde manifestações variadas podem ser notadas em grande parte do corpo e da região cervical (pescoço) do animal – que apresentam tensão, tremor ou rigidez. 

Esse mesmo tipo de sintoma também pode atingir as áreas de maxilar e membros do cão ou gato, e o quadro também pode provocar respiração ruidosa, ocorrência de sangramentos por mordedura em língua ou bochecha e até o descontrole do intestino e da bexiga, causando defecação e micção involuntários. 

Em alguns casos, cães e gatos podem ter alterações comportamentais que precedem os episódios convulsivos (fenômeno conhecido como fase aura), apresentando agitação, procura excessiva pelo cuidador ou a necessidade de tentar se esconder em algum lugar. 

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Quando os músculos relaxam novamente, a respiração se normaliza e a consciência do animal é recuperada pode se dizer que o episódio chegou ao fim e; neste momento, evitar agitação ou barulhos excessivos é importante, pois, quanto mais calmo for o ambiente, melhor será a recuperação do pet. Porém, infelizmente, isso não assegura a ausência de novos episódios. 

Após a estabilização do quadro o e atendimento médico veterinário emergencial, o diagnóstico da convulsão deve ser realizado através de exames. Em muitos casos, a suspeita da causa da convulsãoé associada com quadros de epilepsia; mas, antes de se definir esse diagnóstico, é necessário que uma avaliação específica seja feita por um neurologista. 

Denomina-se epilepsia quando ocorrem várias crises convulsivas – sejam elas frequentes ou esporádicas – e se faz necessário descartar a possibilidade de que outras doenças que podem levar a quadros convulsivos estejam afetando o animal antes que ele seja diagnosticado como epilético. 

As principais causas de convulsões podem ser divididas de acordo com sua localização de origem, que pode ser extracraniana, intracraniana ou idiopática (de origem desconhecida). Dentre as principais causas, podemos citar: 

  • Intoxicações e envenenamentos
  • Infecções e doenças inflamatórias
  • Traumatismos por automóveis ou quedas
  • Desequilíbrios e doenças metabólicas
  • Alterações genéticas
  • Acidentes vasculares 

As convulsões de origem extracraniana ocorrem, principalmente, devido a problemas metabólicos, nutricionais ou intoxicações. Nas metabólicas é o funcionamento insuficiente do órgão que pode gerar um acúmulo de substâncias tóxicas ao cérebro e um bom exemplo disso pode ser visto nos animais que apresentam Diabetes Mellitus, e destacam variações de níveis altos ou baixos de glicose no sangue; que podem provocar a convulsão no animal – lembrando que os filhotes são mais sensíveis a diminuição da glicemia quando passam tempo prolongado em jejum. 

No caso das intoxicações, as causas mais comuns envolvem a ingestão de produtos de limpeza e os mais variados tipos de venenos, que incluem desde os direcionados para dar fim a animais peçonhentos até venenos industrializados contra ratos. 

Alterações intracranianas apresentam uma grande possibilidade de causas como neoplasias, encefalites causadas por vírus, bactérias ou fungos e doenças imunomediadas (que ocorrem com maior frequência em animais jovens e de porte pequeno como Lhasa Apso, Yorkshire, Shi Tzu, Maltês, Poodle, Bulldog Francês e diferentes variações de Terriers).

Além dos traumatismos por queda ou acidente automobilístico e alterações genéticas (hidrocefalia), também há má formações genéticas que fazem com que haja um descontrole neuronal predispondo convulsões em animais – sendo que, quando a causa desse tipo de episódio não é conhecida, ela se classifica como idiopática e, devido a exclusão de outras possibilidades, pode ser considerada como epilepsia.

Geralmente, os episódios convulsivos se evidenciam mais em cães e gatos com idade menor que quatro anos, e há um grupo específico de raças que podem apresentar o quadro, incluindo nomes como, Pastor Alemão, Setter, Poodle Toy, São Bernardo, Husky Siberiano, Beagle, Fox Terrier, Cocker Spaniel e Dachshound, entre outros.

Animais com outras enfermidades - como doenças cardíacas, diabetes ou hipertensão - também contam com maior probabilidade de acidentes vasculares cerebrais (AVC), seja por obstrução ou ruptura de vasos. Para diagnóstico da causa de excessivos estímulos neuronais, são necessários exames de sangue, ressonância magnética e, em alguns casos, tomografia computadorizada; além da análise do líquor (líquido que envolve e protege o cérebro).

Com a ocorrência do episódio convulsivo e conseqüente diminuição do fluxo de oxigênio cerebral, é recomendado que o animal tenha atendimento imediato, sendo avaliado por um médico veterinário competente e que investigue a fundo as causas; podendo, dessa forma, realizar o melhor tratamento disponível. 

Nos casos mais graves, a internação para suporte se faz necessária, permitindo que seja feita a indução de coma (com infusão de medicações que ajudem a controlar o quadro) e o suporte ventilatório (oxigenioterapia, ventilação controlada) – evitando parte dos riscos de seqüelas neurológicas ou a morte do animal. 

Dito isso, confira que tipo de medida adotar no caso de presenciar uma convulsão em cães ou gatos, e esteja preparado para ajudar o seu amigo de quatro patas: 

  • Evite estímulos externos como gritos, barulhos ou iluminação excessivos 
  • Previna acidentes retirando objetos que possam oferecer perigo e que estejam próximos ao animal. Se o episódio convulsivo estiver ocorrendo próximo a áreas de risco ou haja a possibilidade de queda do local (cama, sofá, escada), promova uma remoção cautelosa 
  • Tente colocar algo macio sob a cabeça do animal, para que não fique batendo no chão, evitando que se agrave o quadro. Não coloque as mãos próximas da boca do cão ou gato, evitando a possibilidade de mordidas acidentais (devido a movimentos involuntários) 
  • Ao final da crise, o pet pode apresentar agitação ou apatia, e nesta fase é recomendado que o animal seja amparado com toques suaves e voz mansa para que retome os sentidos com tranqüilidade 
  • Vá diretamente para o hospital veterinário mais próximo assim que o animal estiver mais calmo para que sejam administradas as medicações que ajudam a conter o quadro e evitar a recorrência do episódio – e também para que se dê início à pesquisa diagnóstica, permitindo que seja realizado um tratamento mais efetivo.

 



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ATENÇÃO: Esse conteúdo é meramente informativo e não substitui a consulta a um médico veterinário ou serviço especializado. Encontre um fornecedor próximo a sua casa.

Sobre o autor

Médica Veterinária (CRMV-SP 25380) formada pela Fundação Municipal de Ensino Superior de Bragança Paulista (FESB). Especialização em Emergências e Terapia Intensiva pela Universidade Federal do Semi-Árido (UFERSA). Prêmio internacional em concurso de Bem-Estar Animal pela World Society for the Protection of Animals (WSPA). Responsável e membro da equipe de médicos veterinários intensivistas do Intensive Home Care, atuando nas áreas de emergência e terapia intensiva, na região de São Paulo.

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